terça-feira, 19 de outubro de 2010

Capítulo Vinte e Seis


A maneira de Deus lidar com os pecados dos cristãos — LAVAR-OS-PÉS
AS CINZAS DA NOVILHA VERMELHA NO ANTIGO TESTAMENTO
Em Números 19, Deus nos mostra que se alguém tocar num cadáver fica imundo e precisa purificar-se com as cinzas de uma novilha vermelha. Para se usar as cinzas deve-se colocá-las em água corrente (Nm 19:17). Se alguém tiver qualquer impureza, a água com as cinzas pode ser espargida sobre ele, e ele ficará limpo. A obra de Cristo está completa. Não é necessário Cristo ser crucificado novamente. Nossa necessidade atual é aplicar as cinzas a nós, ou seja, é aplicar a nós a eficácia da obra de Cristo. A maneira de aplicá-la é misturá-la com o Espírito Santo. Somente a obra do Espírito Santo pode transferir-nos a eficácia da obra de Cristo.
Portanto, a questão hoje não é a obra do Senhor Jesus. A questão hoje é a obra do Espírito Santo. Não há dúvidas sobre o fato de que o Senhor morreu por nós. A dúvida é se essa obra tem produzido ou não algum efeito em nós, se o Espírito Santo tem aplicado ou não a obra do Senhor Jesus a nós. Ao confessarmos nossos pecados, o Espírito Santo aplica a nós a obra da redenção do Senhor. Ele nos fará lembrar do Senhor e perceber como Sua obra é completa. O Espírito Santo faz-nos recordar em nosso coração a obra redentora do Senhor. Ele nos faz lembrar e entrar nessa verdade. Por isso nosso coração tem paz e alegria. O Espírito Santo vem e aplica a obra das cinzas, isto é, a eterna obra do Senhor Jesus, a nós. O Senhor cumpriu toda a obra. Não há necessidade de pedir nada nem de fazer nada. Agora, quando confessamos nossos pecados, o Espírito Santo vem e faz-nos considerar essa verdade, para que recebamos os benefícios da redenção do Senhor.
O LAVAR-OS-PÉS NO NOVO TESTAMENTO
Não somente o Antigo Testamento nos mostra a purificação por meio da morte do Senhor Jesus, mas o próprio Senhor Jesus, no Novo Testamento, também fez algo para mostrar-nos a mesma coisa. João 13 mostra-nos um quadro do que um cristão deve fazer quando peca. João 13:1 diz: “Ora, antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. Após essa palavra, o Senhor Jesus fez algo que mostra não apenas o Seu amor, mas o Seu amor ao extremo. João 13 é diferente de João 3. João 3 é sobre o amor inicial de Deus. João 13 refere-se ao amor de Deus no ápice. Uma vez que Deus ama a Seus filhos, Ele os ama ao extremo.
João 13:3 a 10 diz: “Jesus, sabendo que o Pai tudo entregara nas Suas mãos, e que Ele saíra de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, tirou as vestes de cima e, tomando uma toalha, cingiu-Se. Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. Chegou, então, Simão Pedro. Este Lhe disse: Senhor, Tu me lavas os pés? Respondeu-lhe Jesus: O que Eu faço, tu não o sabes agora, mas compreendê-lo-ás depois. Disse-Lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se Eu não te lavar, não tens parte Comigo. Simão Pedro Lhe disse: Senhor, não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça. Declarou-lhe Jesus: Quem já se banhou não tem necessidade de lavar senão os pés, mas está todo limpo”.
O lavar-os-pés possui dois significados na Bíblia. Jesus lavando os pés aos discípulos tem um significado, e os discípulos lavando os pés uns aos outros tem outro significado. Lavar os pés uns aos outros é restaurar uns aos outros e reavivar uns aos outros. Jesus lavar os pés aos discípulos possui outro significado.
Todos nós temos sapatos e meias; portanto, lavar os pés não é algo tão necessário para nós. Contudo, alguns de nós vêm de países do sudeste asiático. Ali, o lavar-os-pés é necessário, porque muitos usam só sandálias; eles não usam meias. Os judeus eram como os asiáticos do sudeste; eles calçavam sandálias e não usavam meias. Freqüentemente andavam por regiões desertas e seus pés estavam sempre sujos. Seus pés não apenas se sujavam quando viajavam, mas às vezes sujavam-se ao caminhar pela casa logo após o banho. Mesmo que o corpo já estivesse limpo, os pés ainda precisavam ser lavados para que eles ficassem de fato completamente limpos.
Que deseja o Senhor Jesus mostrar-nos nesse quadro? O versículo 10 diz: “Declarou-lhes Jesus: Quem já se banhou não tem necessidade de lavar senão os pés, mas está todo limpo”. Quem são os que já se banharam? Ananias disse a Paulo que se levantasse, recebesse o batismo e lavasse os seus pecados (At 22:16). Lavar-se, na Bíblia, significa a limpeza total dos pecados de uma pessoa, quando ela crê no Senhor Jesus. No início desse livro vimos o sacrifício e a queima da novilha. O sacrifício é para nossa redenção, e o queimar é para nossa purificação. Hoje, também temos de considerar estes dois tipos de purificação: um deles é o lavar-os-pés; o outro é o banhar-se. Há dois lados na obra do Senhor: o imolar e o queimar; e ao aplicarmos os efeitos dessa obra em nós, também há dois lados: o lavar-os-pés e o banhar-se. Ele nos lavou com Seu próprio sangue. A obra de redenção foi cumprida uma vez por todas. Quando cremos Nele e O recebemos, somos lavados na poça de Seu sangue e ficamos totalmente limpos. Graças ao Senhor que todos tomamos esse banho. Todos os nossos pecados foram lavados pelo Senhor Jesus. Mas agora que cremos no Senhor e fomos lavados, enquanto estamos em nossa jornada pelo deserto, não podemos evitar o contato com o mundo. Não conseguimos evitar certas impurezas. Em nossa jornada no deserto, espontaneamente entramos em contato com o mundo, e espontaneamente o pó da terra suja nossos pés.
BANHAR-SE E LAVAR OS PÉS
Apesar de nós, os cristãos, sermos banhados somente uma vez, a Bíblia nos mostra que lavar os pés ocorre muitas vezes. Há somente um banho, mas há muitos lavar-os-pés. É semelhante à purificação: Há somente uma purificação pelo sangue, mas há muitas purificações pela água das cinzas. O cumprimento da redenção de Cristo ocorreu somente uma vez. No entanto, há muitas aplicações que o Espírito Santo faz a nós desta obra consumada. Somos banhados somente uma vez, e todos os nossos pecados são lavados. Mas requer-se muitos lavar-os-pés para limpar toda a sujeira que se acumula na jornada pelo deserto. Somente um banho é necessário. Contudo, o lavar-os-pés é uma tarefa diária diante do Senhor. O lavar-os-pés ocorre por meio da Palavra de Deus, através da obra do Espírito Santo, tendo por base a obra do Senhor Jesus. Se fomos limpos uma vez pelo Seu sangue, devemos também continuar a ser lavados por ele diariamente. O Senhor Jesus não precisa vir e realizar outra obra. Somos limpos continuamente tendo como base aquela única obra. Não são as cinzas que estão nos limpando, mas a água das cinzas. As cinzas da novilha vermelha são o sinal do nosso julgamento.
Deus não substituiu nosso julgamento pelo do Senhor Jesus. Pelo contrário, Ele nos julgou em Cristo Jesus. Hoje as pessoas acham que o Senhor Jesus morreu no lugar do homem; mas na verdade, nós morremos no Senhor Jesus e com Ele. Em outras palavras, somos julgados em Cristo. Somente isso nos purifica. Minha purificação diária está baseada na morte do Senhor Jesus.
Sabemos que já nos banhamos, isto é, nossos pecados foram purificados. Uma vez salvos, estamos salvos eternamente. Todos os problemas estão resolvidos. Então, que devemos fazer quando tocamos coisas imundas, enquanto vivemos na terra e contatamos o mundo todos os dias? Nem todos podemos ser como o ladrão na cruz que, depois de limpo pelo sangue, foi direto ao paraíso sem que seus pés tocassem a terra. A maioria das pessoas não é salva em seu leito de morte. A maioria ainda tem de seguir jornada pelo deserto. E cada um de nós sabe que nessa jornada não deveríamos pecar. Contudo, pecar é um fato que ocorre com todos nós. Como resultado, nossos pés ficam sujos. Muitas vezes somos precipitados e falamos coisas que não deveríamos falar. Muitas vezes temos pensamentos impróprios. Portanto admitimos que fomos contaminados. No entanto, Deus preparou-nos o lavar-os-pés do Senhor Jesus. Isso não é apenas um sinal do Seu amor por nós, mas é um sinal do Seu amor ao máximo. Ele nos amou; por isso, Ele foi crucificado por nós. Agora Ele nos ama ao máximo; por isso, Ele lava os nossos pés. Falando de modo figurado, o lavar-os-pés não é o amor antes do casamento. O lavar-os-pés é o amor após o casamento. O Senhor nos faz estar continuamente limpos diante Dele. Essa é a razão de o Senhor ter dito que quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais está todo limpo. Agradecemos ao Senhor, pois Seu Filho já nos deu um banho.
O Senhor permitiu que a insensatez de Pedro fosse manifestada como uma lição para nós. Quando Ele se aproximou de Pedro, este lhe disse: “Senhor, Tu me lavas os pés?” Pedro achava que aquilo era uma questão de educação e cortesia. O Senhor lhe disse que o que Ele fazia Pedro não entenderia no momento, mas compreenderia depois. Há muita verdade espiritual aqui. Quando o Espírito Santo vem, nós enxergamos. Agora não temos clareza. Tudo o que vemos é uma bacia de água e o lavar do Senhor. Não vemos o que significam. No futuro, entretanto, compreenderemos. Mas Pedro sempre tinha suas opiniões. Ele exclamou que o Senhor jamais lavaria seus pés. O Senhor lhe disse que o lavar-os-pés era muito importante. Se o Senhor não lavasse os pés de Pedro naquela noite, ele não teria parte com Ele.
Não pense que seja suficiente tomar um banho uma vez e ser purificado pelo sangue do Senhor uma vez. Não pense que podemos continuar vivendo relaxadamente, quando somos contaminados pela sujeira em nosso caminho pelo mundo. O Senhor disse que, se nossos pés não forem lavados, não teremos parte com Ele. Isso significa que hoje Sua comunhão conosco terminaria, e Sua comunhão conosco no reino vindouro também estaria perdida. Quão importante é a limpeza diária! Devemos permitir que o Senhor lave nossos pés todos os dias. Temos de nos voltar ao Senhor cada dia, para ser restaurados e receber a aplicação do poder da redenção de Cristo. Não precisamos do sangue do Senhor Jesus para lavar-nos novamente diante de Deus. A obra do Senhor perante Deus já foi finalizada uma vez por todas. Contudo, podemos experimentar o lavar muitas vezes. O sangue de Seu Filho lava nossos pecados seguidas vezes, continuamente. Portanto, repetidamente nossos pés devem ser lavados todos os dias. Temos de zelar pela limpeza de nossos pés todos os dias.
Pedro era como nós somos. Ele sempre ia aos extremos. Primeiro ele foi a um extremo, e em seguida foi ao outro extremo. Num instante ele disse que o Senhor jamais lavaria seus pés. Então, ao ouvir o Senhor dizer que ele não teria parte com Ele, se não tivesse os pés lavados, ele pediu que sua cabeça e suas mãos também fossem lavadas. O Senhor Jesus mostrou-lhe que o outro extremo também está errado. O Senhor disse que quem se banhou não necessita lavar senão os pés. Ninguém pode arrepender-se e crer no Senhor duas vezes. Ninguém pode ser regenerado duas vezes. Ninguém pode receber o Salvador duas vezes. Desde que você venha ao Senhor Jesus e O aceite como Salvador, isso é suficiente. Talvez você duvide por alguns dias. Talvez você ache que ao aceitá-Lo como Salvador, não o fez direito, e talvez comece a ter dúvidas depois de alguns dias; você quer aceitá-Lo novamente. Mas o Senhor disse que não há necessidade disso. A cabeça não precisa ser lavada outra vez, tampouco as mãos. O Senhor Jesus disse que os que já se banharam precisam apenas lavar os pés para estar totalmente limpos. Precisamos de apenas um banho para o corpo todo. Apesar de tocarmos o mundo e sujar nossos pés freqüentemente, isso não afeta a limpeza de nosso corpo inteiro. A necessidade é de apenas um banho para o corpo todo. O banho não precisa ser repetido. Aleluia! Mesmo que ande na lama e seus pés fiquem imundos, isso não prejudicará a limpeza de todo o corpo. Seu corpo não precisa ser limpo novamente. Desde que tenha recebido o Senhor Jesus como Salvador, seu corpo está limpo. A partir de então, você não precisa lavar seu corpo de novo. Quando uma pessoa é limpa uma vez, ela está limpa eternamente. Ninguém pode negar isso. Ela pode sujar os pés e ser cortada da comunhão do Senhor. Ela pode não ter parte no reino, mas todo o seu corpo ainda está limpo. Todos os que são banhados precisam lavar somente os pés, e estarão totalmente limpos. O que estamos fazendo dia após dia é relembrar do nosso Salvador. O Senhor Jesus completou uma obra eterna. Dia após dia, enquanto vivemos na terra, só precisamos manter nossos pés limpos e livres da sujeira. Se por acaso ficarmos sujos, ainda poderemos receber um lavar diário, a fim de podermos desfrutar uma comunhão ininterrupta com o Senhor hoje e reinar com Ele amanhã. Esse é o nosso caminho. Que o Senhor mantenha nossos pés limpos dia após dia, para que glorifiquemos Seu nome aqui na terra.

Capítulo Vinte e Cinco

A maneira de Deus lidar com os pecados dos cristãos — Purificação E Confissão
Depois que uma pessoa crê no Senhor Jesus, todos os seus pecados passados são perdoados pela obra redentora do Senhor. Mas que deve ela fazer, se pecar novamente depois de crer e ter sido salva? Não é correto pecar, mas pecar é um fato que ocorre na vida. É uma vergonha um cristão pecar, mas também é um fato inegável que os cristãos pecam. Sabemos que não devemos falhar nem cometer erros. Mas devemos admitir que realmente temos momentos de fracasso e de fato cometemos erros. Então, que faremos com esses pecados? Para sermos mais específicos, o que Deus fará com esses pecados? Já mencionamos a punição temporária. Deus nos adverte que, se nos tornarmos apóstatas, seremos punidos no reino milenar. Mas se quisermos lidar com nossos pecados e ser purificados deles, que devemos fazer? Como podem nossos pecados ser lavados e perdoados? Embora em toda a Bíblia haja somente três ou quatro lugares que mencionam esse problema, eles nos proporcionam uma clara luz. A fim de sabermos como lidar com esse problema, tudo o que temos de fazer é ler essas poucas passagens.
UMA ÚNICA PURIFICAÇÃO POR MEIO DO SANGUE
Comecemos pelo princípio. Sabemos que quando o Senhor Jesus foi crucificado na cruz, Ele verteu Seu sangue para lavar todos os nossos pecados. Depois de lavar nossos pecados, Ele assentou-se à direita de Deus (Hb 1:3). Se, depois de sermos salvos e purificados de nossos pecados, nós pecarmos e nos corrompermos de novo, o sangue do Senhor Jesus lavará nossos pecados novamente? O homem pensa que se pecar, o sangue do Senhor Jesus terá de purificar os seus pecados novamente. Mas não há tal verdade na Bíblia. O sangue purifica os nossos pecados somente uma vez; nunca purifica duas vezes. Não há repurificação dos pecados do homem.
O livro de Hebreus mostra-nos claramente que há somente uma purificação de pecados. Hebreus 10:1-14 diz: “Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem. Doutra sorte, não teriam cessado de ser oferecidos, porquanto os que prestam culto, tendo sido purificados uma vez por todas, não mais teriam consciência de pecados? Entretanto, nesses sacrifícios faz-se recordação de pecados todos os anos, porque é impossível que sangue de touros e bodes remova pecados. Por isso, ao entrar no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste; antes, corpo me formaste; não te deleitaste com holocaustos e ofertas pelo pecado. Então, eu disse: Eis aqui estou (no rolo do livro está escrito a meu respeito), para fazer, ó Deus, a tua vontade. Depois de dizer, como acima: Sacrifícios e ofertas não quiseste, nem holocaustos e oblações pelo pecado, nem com isto te deleitaste (coisas que se oferecem segundo a lei), então, acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. Remove o primeiro para estabelecer o segundo. Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas. Ora, todo sacerdote se apresenta, dia após dia, a exercer o serviço sagrado e a oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca jamais podem remover pecados; Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés. Porque, com uma única oferta aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados”.
Vemos que o Senhor Jesus ofereceu a Si próprio uma vez como oferta pelo pecado por nossos pecados. Ele efetuou a redenção eterna uma vez por todas. Pela Sua obra única estamos eternamente aperfeiçoados. O versículo 2 mostra que os que foram purificados, não mais têm consciência dos pecados. Por isso, há somente uma oferta do Senhor Jesus. Não há uma segunda oferta. Se alguém rejeitar esta oferta pelo pecado, não haverá outra oferta pelo pecado para ele. Este é o motivo de o versículo 26 dizer que, se pecarmos deliberadamente, já não restam mais sacrifícios pelos pecados. Os pecados de um pecador são perdoados por meio da cruz de Cristo. Depois que um cristão é salvo, mesmo que ele peque, o Senhor Jesus não pode morrer por seus pecados novamente. A Sua realização passada consumou tudo eternamente. Tudo está incluído Nele.
Leiamos agora alguns versículos do capítulo 9. Os versículos 25, 26 e 28 dizem: “Nem ainda para se oferecer a si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no Santo dos Santos com sangue alheio. Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado (...) assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação”. Sua vinda pela segunda vez não terá nada que ver com seus pecados; antes, será para a salvação deles. Os versículos 12 a 14 dizem: “Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção. Portanto, se o sangue de bodes e de touros e a cinza de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam, quanto à purificação da carne, muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para servirmos ao Deus vivo!” O versículo 9, falando do primeiro tabernáculo, diz que ele é “uma alegoria para o tempo presente” (VRC). Nesse tabernáculo “se oferecem assim dons como sacrifícios, embora estes, no tocante à consciência, sejam ineficazes para aperfeiçoar aquele que presta culto”.
Lendo os capítulos 9 e 10 vemos que os sacrifícios do Antigo Testamento diferem do sacrifício do Novo. Se eu estivesse no Antigo Testamento e cometesse um pecado, haveria somente uma maneira de lidar com ele. Se eu tivesse bastante dinheiro, compraria um touro; se não tivesse o suficiente, compraria um bode e se não tivesse recursos para nenhum deles, compraria uma rola. Depois eu pediria a um sacerdote que ofertasse o sacrifício por mim para expiação do meu pecado. Quando visse o touro ou o bode, meu coração se alegraria, porque saberia que a oferta servira como substituto para minha punição. Por ser o sangue de touro ou bode semelhante ao meu, Deus me perdoaria. Eu iria para casa satisfeito e com júbilo no coração, e seria a pessoa mais feliz da terra, porque os meus pecados teriam sido perdoados; eu não teria mais meus pecados. As trevas em minha consciência seriam removidas, e eu não mais sofreria. Mas, dois dias depois, eu poderia começar a pensar: “E se não valer aquele sacrifício oferecido outro dia? E se o sacerdote não houver feito o serviço corretamente?” Por causa desses pensamentos, eu ficaria preocupado e sofreria novamente. Finalmente, eu decidiria comprar outro touro ou bode, levá-lo-ia ao sacerdote e diria a ele que a oferta de pecado do outro dia não fora bem feita, e pediria para refazer a oferta. O sacerdote, então, sacrificaria o touro ou o bode, e oferecê-lo-ia mais uma vez a Deus, e eu me certificaria de que o touro ou o bode havia sido oferecido pelos meus pecados.
No Antigo Testamento, quando a consciência incomodava, podia-se sempre trazer outro touro ou bode como oferta pelos pecados por intermédio do sacerdote. Isso é o que Hebreus 9 nos mostra. Ele diz que o sangue de touros e bode não faz uma obra completa. O capítulo 10 diz que, se uma obra completa tivesse sido feita, não haveria mais consciência de pecados. Deus considerava incompleta a obra de animais no tocante à consciência, porque cada vez que uma pessoa perdesse a paz em sua consciência, ela sentiria que seus pecados ainda não haviam sido plenamente tratados, e haveria necessidade de mais ofertas.
Entretanto, o apóstolo mostra-nos que um cristão não deve agir da mesma forma. O sacrifício propiciatório que Deus estabeleceu no Novo Testamento não é um touro ou um bode, mas o Seu próprio Filho. Quando Seu Filho veio à terra, Ele disse claramente que Deus não desejava touros e bodes nem se agradava deles. Em vez disso, Deus preparou um corpo para Ele, a fim de que Ele pudesse morrer para completar a obra da eterna redenção. O Senhor cumpriu na cruz o sacrifício pela redenção eterna. Agora podemos obter essa redenção eterna. Ele ofereceu um sacrifício pela redenção eterna, consumando assim a eterna redenção. Por causa desta redenção eterna, estamos eternamente aperfeiçoados. Ele é o Filho de Deus. Por causa de Sua obra eterna uma vez consumada, não precisamos mais fazer ofertas pelo pecado. Não mais podemos fazer oferta pelo pecado para o mesmo pecado, porque o Senhor Jesus consumou toda a obra.
O Filho de Deus não pode novamente ser crucificado pelos nossos pecados. Ninguém pode pisar o sangue do Filho de Deus e torná-lo algo comum. E se algo é o único do gênero, é precioso. Mas se houver duas coisas do mesmo gênero, elas são comuns. Tratar o sangue do Filho como algo comum significa considerá-lo igual ao sangue de touros e bodes. Mas se honrar Seu sangue e considerá-lo como algo único, ele lhe será precioso. A oferta pelo pecado, consumada por Ele, está aqui. Depois que o Senhor realizou Sua obra, Deus disse que não pode haver nenhuma outra obra. O Filho de Deus não pode morrer novamente. Sua obra está consumada. Se você a quiser, terá de crer Nele. Você não pode acrescentar nada a ela. Ou você depende Dele ou nada tem. Depois que alguém recebe a luz por meio da verdade, para ele não há mais sacrifício pelos pecados. Há somente uma oferta pelo pecado. Isso é o que pregamos. Aqueles que vêm adorar por meio desse único sacrifício terão sua consciência purificada; eles não mais terão consciência dos pecados. Todos os pecados deles foram lavados e eles não terão mais consciência dos pecados. Além disso, não há necessidade de outra purificação. A Bíblia nunca ensina a doutrina de uma segunda purificação. O sangue do Senhor Jesus não pode purificar-nos novamente. Uma vez purificados, estamos purificados para sempre.
RECEBER A PURIFICAÇÃO ININTERRUPTA DEPOIS DE CRER
A questão agora é esta: Que devemos fazer, se pecarmos novamente? Que faremos, se ficarmos imundos novamente? Todos os pecados que cometemos antes de sermos salvos foram lavados pelo sangue do Senhor Jesus. Mas, que fazer com os pecados que cometemos depois de salvos? Não queremos ser punidos. Não queremos perder o reino. Não queremos sofrer o dano da segunda morte. Que fazer diante de Deus? Consideremos 1 João 2:1: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis”. Um dos objetivos do cristão é não pecar. João escreveu-nos essas palavras para que não pecássemos. Segundo a posição, é possível um cristão não pecar. Infelizmente, segundo sua história real, ele peca com freqüência. Posicionalmente falando, não deveríamos pecar. Mas, falando da experiência, de fato pecamos com freqüência. Não há necessidade de pecar. O pecado, contudo, é um fato inabalável.
João continua: “Se, todavia, alguém pecar”. Aqui estamos tratando do problema de um cristão que peca. Ele é um pequenino de Deus; pertence ao Senhor. Se ele pecar, que deve fazer? “Temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo”. Não diz que temos Advogado junto a Deus; antes, é-nos dito que temos Advogado junto ao Pai. Portanto, esse versículo refere-se aos filhos de Deus. Refere-se aos que foram salvos. Se alguém entre os salvos, os filhos de Deus, pecar, ele tem um Advogado junto ao Pai. Isso não é um debate num tribunal de justiça, mas é um assunto de família.
A palavra advogado na língua original é paracletos. Para significa ao lado de; estar ao lado quer dizer que você está em algum lugar e outra pessoa também está ali. Você está em Xangai e essa pessoa ambém está em Xangai. Quando você vai para Cantão, ela também vai para Cantão. É semelhante aos trilhos de um trem. Você não pode ter um trilho em São Paulo e outro em Maceió. Cletos significa auxiliador. Um paracletos, portanto, é alguém que está ao lado, auxiliando. Você pode fugir, mas para onde quer que corra, o paracletos também estará lá. Os que ajudam são muito bons, mas muitas vezes eles chegam tarde demais. Pode haver bastante arroz no Sul, mas os famintos no Norte não poderão obtê-lo, porque o arroz não está ao lado. Os gregos usavam a palavra paracletos para referir-se ao advogado de defesa no tribunal. Suponha que você não entenda a lei, e alguns o acusem; eles podem processá-lo ou tirar vantagem de você, mas você não tem como defender-se. Agora há um paracletos para responder por você. As pessoas acusam-no de ter pecado. Mas o seu paracletos dirá que você não possui pecado. Ele o defenderá como um advogado de defesa. O significado aqui é ter alguém próximo de si para falar por você. Se um cristão pecar, há Alguém junto ao Pai falando por ele.
Satanás não desiste de fazer acusações contra os cristãos. Apocalipse 12:10 nos diz que ele acusa os irmãos dia e noite. Dia e noite somos os réus e ele é o acusador. Mas temos um Advogado que é Jesus, o Justo. Aqui diz que Ele é o Advogado; não o que tem a graça, mas o justo. Por que não diz que Ele é o que tem a graça? Porque no tribunal de justiça celestial não se fala a respeito da graça, da mesma forma que não se fala a respeito da graça nos tribunais terrenos. Qualquer juiz que queira perdoar aos outros é um juiz injusto. Somente os que são a favor da justiça podem ser juízes. Deus é a favor da justiça. Ele não perdoa nossos pecados injustamente. Ele não faz pouco caso de nossos pecados, não encobre nossos pecados, nem nos deixa passar despercebidos com nossos pecados. Pelo contrário, Ele julgou nossos pecados com justiça.
O Senhor não nos defende dizendo que a tentação foi muito forte, que, como criancinhas, não poderíamos lidar com ela, e, portanto, Deus tem de nos conceder graça. O Senhor Jesus não diz que os cristãos são pequenos demais, que o conhecimento deles é pequeno demais, que a carne é fraca demais e a atração do mundo é forte demais. Ele não diz que as artimanhas de Satanás são astutas demais e não há como rejeitar Satanás. Não é dessa maneira que o Senhor Jesus nos defende. Ele não apela para a graça, nem está ali como despenseiro da graça. João diz que Jesus Cristo é o justo. Ele diz a Deus que, por causa Dele e do que Ele fez, Deus tem de nos perdoar.
Como esse Advogado nos defende? É-nos dito no versículo seguinte: “Ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 Jo 2:2). O Senhor Jesus faz Sua defesa por nós baseado em Sua obra consumada, ou seja, em Sua propiciação na cruz por nós. Como resultado, podemos achegar-nos a Deus. Esse é um sacrifício propiciatório completo. Inclui todos os pecados de todos os cristãos no tempo e no espaço. Quando esse sacrifício propiciatório é mostrado a Deus, Ele não tem mais razão para punir os cristãos. O sacrifício propiciatório do Senhor não é apenas para os pecados do passado, mas também para todos os pecados do presente e do futuro. O verbo em 1 João 2:2 está no presente e não no pretérito. Deus não pode condenar-nos baseado nas acusações de Satanás, porque a obra redentora de Cristo, consumada na cruz, inclui todos os pecados de hoje e todos os que serão cometidos até o dia de Sua volta. Todos os nossos pecados foram incluídos em Sua obra. Deus tem de nos perdoar. Ele não pode agir de outra forma, porque esse perdão tem uma base.
O SENHOR JESUS COMO ADVOGADO DOS CRISTÃOS
A obra do Senhor Jesus como Salvador é para os pecadores. A obra do Senhor Jesus como Advogado é para os cristãos. Como Salvador, o Senhor Jesus consumou a obra da cruz. Como Advogado, o Senhor Jesus aplica a obra da cruz. Os pecados dos pecadores são perdoados por meio da redenção da cruz. Os pecados dos cristãos são perdoados por meio da defesa que é baseada na redenção da cruz. Essa defesa apresenta a obra da cruz a Deus. Ela mostra a Deus o que o Senhor Jesus fez, para que Ele não castigue o homem por seus pecados. Nós temos um Advogado diante de Deus. A morte do Senhor Jesus é a prova apresentada a Deus.
O Senhor Jesus tornou-se Advogado para todo cristão que peque, da mesma forma como se tornou Salvador para todo pecador. Não é que primeiro nos arrependemos, cremos, somos regenerados e depois o Senhor morre por nós; antes, foi enquanto ainda éramos pecadores que Cristo se tornou nosso Salvador (Rm 5:8). Da mesma forma, não é que primeiramente nos arrependemos, e depois Ele se torna nosso Advogado. Pelo contrário, mesmo enquanto estamos pecando, Ele se torna nosso Advogado. Não é que Ele se torna nosso Advogado quando confessamos nossos pecados diante de Deus; mas, mesmo enquanto estamos pecando, Ele se torna nosso Advogado. Essa é a razão de João dizer que, se algum homem pecar, temos um Advogado junto ao Pai. Ele não diz para primeiro nos arrepender, confessar os pecados e pedir perdão, para que, então, Ele se torne nosso Advogado diante de Deus. Em vez disso, João diz que, se alguém pecar, já temos Advogado junto ao Pai. Sempre que pecar, naquele momento o Senhor Jesus já é seu Advogado diante de Deus. Naquele exato momento, o Senhor Jesus mostrará a Deus Sua obra na cruz, e Deus terá de deixar passar nossos pecados. Um cristão pode confessar e arrepender-se, porque Jesus é seu Advogado. Por termos o Senhor Jesus como nosso Advogado, defendendo e falando por nós enquanto pecamos, nós, por fim, nos arrependemos, confessamos os nossos pecados e pedimos perdão. A obra de defesa do Senhor não acontece no momento em que nos arrependemos; antes, ela acontece enquanto estamos pecando. Quando pecamos, o Senhor Jesus já é nosso Advogado. Posteriormente somos levados ao arrependimento e à confissão. Ele cumpriu toda a obra em um dia e tudo está incluído naquela obra. Hoje, o Senhor pode apresentar essa obra a Deus. Deus não pode mais castigar-nos, porque todo o débito foi pago. Todos os débitos, passados e futuros, foram pagos. Todos os nossos pecados foram lavados pelo sangue de Jesus.
ANDAR NA LUZ COMO ELE ESTÁ NA LUZ
Ele é o Advogado. Mas, de nossa parte, que devemos fazer? Leiamos 1 João 1:7: “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”. Que significa estar na luz? O homem acha que estar sem pecado e ser santo é estar na luz. Mas não é este o significado aqui. João não diz que devemos andar na luz como Deus anda na luz. Não é dito aqui que Deus anda. Se assim fosse, o significado seria totalmente diferente. Diz aqui que devemos andar na luz como Ele está na luz.
Que significa essa diferença? Por exemplo, neste salão de reunião há muitas lâmpadas, mas nós as chamamos de luz. Estamos agora sentados na luz. Por outro lado, quase sempre, enquanto estamos reunidos, muitas pessoas sentam-se nas escadas junto à porta. Elas estão no escuro. Elas podem não ter pecado; podem não ter roubado os outros lá fora; talvez sejam até melhores e mais santas que nós. Mas os que estão sentados na luz conseguem ver, enquanto os que estão sentados no escuro não conseguem ver. Para Deus, estar na luz significa que Deus agora pode ser visto.
No Antigo Testamento, no Santo dos Santos, Deus estava no escuro e o homem não podia vê-Lo. No Lugar Santo havia uma lâmpada e no átrio exterior havia o sol, mas no Santo dos Santos não havia nenhuma luz. Deus, ali, era um Deus desconhecido. O homem podia somente fazer suposições sobre Ele. Mas graças ao Senhor, pois hoje Deus foi manifestado em Jesus de Nazaré. Deus agora está na luz; Ele não está mais na escuridão. Hoje, Deus é um Deus conhecido, um Deus revelado. Quando você vê Deus hoje, você sabe que Ele é Deus. O evangelho sobre Jesus de Nazaré é a revelação de Deus. O resplandecer da luz do evangelho é o resplendor de Deus. Quando a luz do evangelho resplandece, nós vemos Deus. Não estou dizendo que não devamos ser santos ou que não devamos rejeitar o pecado. Estou dizendo que esse versículo nos diz que por Deus estar na luz, devemos, portanto, andar na luz. Já que Deus se manifestou na luz do evangelho, por isso mesmo devemos ver Deus na luz do evangelho. Não mais buscamos a Deus no Antigo Testamento. Hoje Deus manifestou a Si mesmo. Se Ele não tivesse se manifestado, estaríamos sem esperança, desnorteados, sem saber que tipo de Deus Ele é. Ainda teríamos que fazer suposições sobre Ele. Graças a Deus que Ele foi manifestado. Hoje nosso Deus não é mais um Deus de “bastidores”. Ele agora está no “palco”, é o Deus revelado. A palavra revelação, em grego, é apocalypsis. Apo significa fora, e calypsis, significa véu. Assim apocalypsis significa tirar o véu. Eu costumava assistir apresentações teatrais. No palco havia sempre uma cortina grossa. Você não sabe o que está atrás da cortina. O apocalypsis é o abrir da cortina.
Hoje Deus está na luz. Ele é um Deus exposto. Que devemos fazer então? Devemos andar na luz. Isso significa que veremos Deus e conheceremos Deus na luz. Não conhecemos Deus por suposição como faziam os que viviam no Antigo Testamento. Hoje Deus tem falado. Não há mais necessidade de fazer suposições. Hoje Deus já está na luz. Ele já se revelou no evangelho. Se andarmos nessa revelação, o resultado é a comunhão. Haverá comunhão entre os cristãos e comunhão com Deus.
Desde que Deus e nós sejamos participantes no evangelho, o sangue de Seu Filho Jesus nos limpa de todo pecado. Se você verdadeiramente conhece a Deus no evangelho, verá que o sangue de Seu Filho Jesus está contínua e eternamente nos purificando de todo pecado (1 Jo 1:9). Na língua original, esse versículo nos diz que o sangue de Jesus, Seu Filho, está continuamente purificando-nos de todo pecado. A Bíblia jamais nos mostra que o sangue do Senhor Jesus faz uma segunda obra de purificação. Ela nos mostra que o sangue de Jesus purifica-nos o tempo todo. Não há múltiplas purificações. Há somente uma purificação contínua. A Bíblia nunca traz a idéia de múltiplas purificações. A verdade bíblica é a purificação contínua.
O sangue do Filho de Deus continuamente nos purificando de nossos pecados é a obra do Advogado. A obra da cruz é uma vez por todas. Mas a obra de Seu sangue e da purificação é contínua. A cruz lidou com os nossos pecados e purifica-nos de nossos pecados uma única vez. Contudo, ela é eficaz para sempre. Por que ela é eficaz para sempre e nos purifica continuamente? É porque o Filho está continuamente apresentando a Deus a obra consumada. Não é uma repurificação, mas uma demonstração contínua a Deus de que Ele já morreu e todos os pecados foram tratados. Hoje Ele está continuamente nos purificando de todos os nossos pecados. Todos os nossos pecados estão incluídos aqui. A eficácia de Seu sangue dura para sempre, porque o Senhor Jesus é nosso Advogado no céu continuamente. Sua obra como Advogado é uma continuação e extensão de Sua obra como Salvador. A obra do Salvador aconteceu somente uma vez, mas ela tem prosseguimento na obra do Advogado. Essa é a parte de Deus na obra.
O PERDÃO POR MEIO DA CONFISSÃO
Nunca devemos negligenciar a parte de Deus. Entretanto, nós também jamais devemos esquecer a nossa parte. É verdade que o Senhor Jesus está apresentando Seu sangue e Sua obra diante de Deus continuamente. Mas se pecarmos deliberada e continuadamente e sem arrependimento, repúdio ou disposição para lidar com os nossos pecados, a obra do sangue do Senhor perderá seu efeito e sua eficácia em nós. A obra da crucificação não é apenas para nós, mas também para o mundo inteiro. A obra do Senhor Jesus incluiu a todos. Mas essa obra do Senhor pode ser realizada somente naqueles que crêem Nele. A obra de defesa de Cristo em princípio é a mesma coisa; ela é contínua. Quer um cristão confesse e se arrependa de seus pecados, quer não, a obra de Cristo de purificação é continuamente eficaz. Mas como tal obra pode ser realizada nos cristãos é outra questão.
A Primeira Epístola de João (1:7) nos diz que um cristão tem seus pecados perdoados diante de Deus por causa da obra de Cristo. Por outro lado, o versículo 9 nos mostra o que devemos fazer de nossa parte. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. Em 1 João 2:1 é-nos dito que o Senhor Jesus é nosso Advogado, mas 1 João 1:9 nos diz que de nossa parte temos de confessar nossos pecados. Isso não significa que é a nossa confissão que nos concede o perdão. Se a confissão por si só pudesse obter perdão, o perdão seria injusto. Suponha que eu roube cem dólares de um irmão, vá a ele e confesse meu pecado. Se ele me perdoar por causa da confissão, ele seria justo? Se esse fosse o caso, eu roubaria outros cem dólares e confessaria novamente. Se a confissão sozinha pudesse conceder-nos perdão, essa seria a coisa mais injusta que existe. Se esse fosse o caso, nós não poderíamos dizer que Deus é fiel e justo. Teríamos que dizer que Deus é um Deus injusto e desleixado, que não leva em conta nossos pecados.
Por que João diz que Deus é justo para perdoar? Porque o Senhor Jesus se tornou nosso Advogado. Seu sangue purificou-nos de todos os nossos pecados. Nossos pecados foram julgados e condenados em Cristo. Portanto, quando confessamos nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar. Se eu tivesse roubado dinheiro de um irmão e alguém o tivesse devolvido por mim, então a confissão, certamente me traria perdão. Sem o sangue do Filho de Deus, o perdão de Deus seria injusto. O sangue do Filho de Deus foi derramado. O Filho de Deus tornou-se o Advogado diante de Deus. Deus agora tem de nos perdoar. Se não perdoar, Ele será injusto. Hoje quando confesso meus pecados, Deus é fiel e justo para me perdoar os pecados. A Palavra de Deus nos diz que o Senhor Jesus morreu. Deus tem de ser fiel à Sua própria Palavra. Ele também tem de ser justo com relação à obra do Senhor Jesus. É por essa razão que Ele tem de perdoar nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.
O perdão de nossos pecados por Deus está totalmente baseado no sangue do Senhor Jesus. Os pecados dos pecadores são perdoados por meio do sangue do Senhor. Os pecados dos cristãos também são perdoados por intermédio do sangue do Senhor Jesus. Por ser o Senhor Jesus o Salvador, Deus pode perdoar os pecados dos pecadores. E por ser o Senhor Jesus o Advogado, Deus pode perdoar os pecados dos cristãos. Pelo fato de o Senhor Jesus ser tanto o Advogado quanto o Salvador é que Seu sangue nos concede perdão de nossos pecados e justificação.
CONFISSÃO
Então, que é confissão? O apóstolo não disse que confissão é orar para que Deus perdoe os nossos pecados. Muitas orações e súplicas a Deus por perdão não são confissões. Tampouco disse o apóstolo que confissão é apenas falar algo com a nossa boca. O que o apóstolo disse foi que temos de reconhecer o pecado e tratá-lo como pecado. Confissão significa colocarmo-nos no mesmo lugar que Deus está, admitindo diante de Deus que o que fizemos é, sem dúvida, um pecado. No momento em que você confessar o seu pecado, você será perdoado. Confessar não é suplicar por perdão. O perdão é tarefa do Senhor Jesus. O que você deve fazer é julgar o pecado como pecado. Você deve julgá-lo, reconhecê-lo e confessar que ele é errado. Você tem de tomar o pecado como pecado e tratá-lo como pecado. O que você deve confessar diante de Deus é que um pecado é, sem dúvida, um pecado. Se você confessar, Deus é fiel e justo para perdoar todos os seus pecados e injustiças. Assim como um pecador recebe o perdão de pecados por meio da obra do Senhor Jesus, um cristão recebe da parte de Deus o perdão dos pecados, por intermédio da obra de Cristo e por julgar seu pecado como pecado. Resumindo: confissão é nossa declaração de que alguma coisa é pecado, porque Deus diz que isso é pecado. Por exemplo, suponha que o filho de um irmão saia à rua para brincar com algumas crianças más. Por ele adquirir linguagem suja e fazer travessuras, o irmão reúne as crianças que levaram seu filho a fazer essas coisas e diz a elas que estão erradas e não devem mais brincar com seu filho. Ele também diz ao seu filho para não mais brincar com elas. A criança diz que ela quer confessar que está errada e pede perdão. Mas, embora ela diga isso com sua boca, em seu coração ela está pensando em uma forma de fugir pela porta dos fundos e brincar novamente. Ela não se posiciona junto com seu pai. A questão aqui não é o perdão, mas se reconhecemos ou não algo como pecado.
Confissão significa que tudo o que Deus considera como pecado, eu também considero como pecado. Significa que eu digo a mesma coisa que Deus disse. Se Deus diz que isso está errado, eu também digo que está errado. A confissão é o nosso reconhecimento e declaração do pecado. Quando você confessa, Deus perdoa seus pecados e o purifica de toda injustiça. Ele não está perdoando você por causa de sua confissão; Ele o está perdoando por causa da obra do Senhor Jesus. Seu sangue é a base de tudo nesta questão. Mas por meio da confissão, o sangue produz o perdão. A salvação é pelo sangue por meio da fé. Mas o perdão é pelo sangue por intermédio da confissão. É como se dissesse que a água da torneira vem pelo depósito de água através dos encanamentos. Da mesma forma, o perdão vem pelo sangue por meio da confissão.
A FIGURA DA NOVILHA VERMELHA NO ANTIGO TESTAMENTO
Há um tipo de purificação no Antigo Testamento que é um tipo do perdão dos cristãos no Novo Testamento. As palavras em 1 João 1 e 2 estão tipificadas no Antigo Testamento. Leiamos aquela que pode ser considerada como a única parte no Antigo Testamento que trata com o perdão dos pecados dos cristãos.
Números 19:1-13 diz: “Disse mais o Senhor a Moisés e a Arão: Esta é uma prescrição da lei que o Senhor ordenou, dizendo: Dize aos filhos de Israel que vos tragam uma novilha vermelha, perfeita, sem defeito, que não tenha ainda levado jugo. Entregá-la-eis a Eleazar, o sacerdote; este a tirará para fora do arraial, e será imolada diante dele. Eleazar, o sacerdote, tomará do sangue com o dedo e dele espargirá para a frente da tenda da congregação sete vezes. À vista dele será queimada a novilha; o couro, a carne, o sangue e o excremento, tudo se queimará. E o sacerdote, tomando pau de cedro, hissopo, e estofo carmesim, os lançará no meio do fogo que queima a novilha. Então, o sacerdote lavará as vestes, e banhará o seu corpo em água, e, depois entrará no arraial, e imundo será até à tarde. Também o que a queimou lavará as suas vestes com água, e em água banhará o seu corpo, e imundo será até à tarde. Um homem limpo ajuntará a cinza da novilha, e a depositará fora do arraial, num lugar limpo, e será ela guardada para a congregação dos filhos de Israel para a água purificadora; é oferta pelo pecado. O que apanhou a cinza da novilha, lavará as vestes, e será imundo até à tarde: isto será por estatuto perpétuo aos filhos de Israel e ao estrangeiro que habita no meio deles. Aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, imundo será sete dias. Ao terceiro dia e ao sétimo dia, se purificará com esta água, e será limpo; mas, se ao terceiro dia e ao sétimo não se purificar, não será limpo. Todo aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, e não se purificar, contamina o tabernáculo do Senhor; essa pessoa será eliminada de Israel; porque a água purificadora não foi espargida sobre ele, imundo será: está nele ainda a sua imundícia”.
Em Números 19 um sacrifício é descrito. Esse sacrifício é único no Antigo Testamento. O livro de Números não é um livro sobre ofertas. O livro sobre ofertas é Levítico. Mas esse sacrifício não é mencionado em Levítico, e sim, em Números. Sabemos que o cordeiro pascal foi morto no Egito. Isso tipifica a morte do Senhor Jesus pelos nossos pecados. No monte Sinai, Deus mostrou-nos novamente o que é o cordeiro pascal. As cinco ofertas em Levítico são o cordeiro pascal examinado e partido. Elas nos mostram os diferentes aspectos do Senhor Jesus e como Ele satisfaz as exigências de Deus ao redimir os pecados do homem. Todas elas são para os pecadores e foram citadas no monte Sinai. O livro de Números, entretanto, é um livro sobre o deserto; é a história dos filhos de Israel, vagueando no deserto de Parã, onde os filhos de Israel viviam como peregrinos. Eles eram uma nação, peregrinando no mundo. Ali, Deus lhes deu outro sacrifício, que é o sacrifício da novilha vermelha.
Todas as ofertas são para Deus, e assim sendo o sangue delas devia ser vertido. Este é o único sacrifício cujo sangue é primeiramente espargido diretamente diante do tabernáculo, e em seguida queimado. A maioria das ofertas é composta de touros e bodes, mas apenas este sacrifício é uma novilha, uma fêmea. A maioria dos sacrifícios não tem especificação de cor. Mas este sacrifício tem de ser de uma cor específica; ele deve ser uma novilha vermelha. A maioria dos sacrifícios é oferecida no altar; somente este sacrifício é queimado fora do arraial. Outros sacrifícios são para o perdão de pecados; todavia, a segunda metade deste sacrifício é para purificação. As cinco ofertas de Levítico descrevem o cordeiro pascal. Elas são preparadas para os pecadores. É por isso que elas estão registradas em Êxodo e Levítico. Esse sacrifício, entretanto, é preparado para o povo de Deus. Essa é a razão de estar registrado em Números. É um sacrifício para a experiência do povo de Deus no caminho do deserto. Os outros sacrifícios são para pecado. Somente este sacrifício é para a impureza no deserto. Os outros sacrifícios são de animais machos; este sacrifício é de fêmea. Tudo o que está relacionado com os pecadores é macho, e tudo o que está relacionado com o povo de Deus é fêmea (Dt 21:3-9). Levítico 5:6 diz que uma cabra pode ser oferecida como oferta pela transgressão. A oferta pela transgressão não é apenas para pecadores, mas freqüentemente é para cristãos. Não é como a oferta pelo pecado, que é estritamente para pecadores. A oferta pela transgressão é tanto para pecadores como para cristãos. Quando alguma coisa é oferecida pelo povo de Deus, pode ser fêmea. Essa é a ordenança no Antigo Testamento.
Esse sacrifício, embora lide com as ofensas do homem para com Deus, é, na verdade, oferecido pelos cristãos. A cor vermelha significa redenção diante de Deus. Esse sacrifício não é oferecido no altar, porque não é por pecadores; um pecador tem de passar pelo altar antes de poder vir a Deus. Esse sacrifício é queimado fora do arraial, que é o lugar onde o povo de Deus está. Por isso, o arraial é um tipo da igreja. Estar fora do arraial é ser cortado da comunhão. Entretanto, se você está cortado da comunhão, há um sacrifício esperando por você. Esse sacrifício é para tratar com os pecados dos cristãos. É para a restauração da comunhão.
Vamos agora considerar o sacrifício em si. Esse sacrifício é composto de duas partes. Na primeira parte, o sangue do sacrifício é oferecido; na segunda, o sacrifício é queimado. A primeira parte começa na segunda metade de Números 19:2: “Dize aos filhos de Israel que te tragam uma novilha vermelha sem defeito, que não tenha mancha, e sobre a qual não se tenha posto jugo” (IBB - Rev.). Todos os que conhecem a Bíblia sabem que isso se refere ao Senhor Jesus. Hebreus 10 indica que essa novilha vermelha refere-se ao Senhor Jesus. Quais são as qualificações do Senhor Jesus para tornar-se esse sacrifício? Números 19:2 diz que esse sacrifício devia ser sem mancha e sem defeito, e que não tivesse levado jugo. O ser sem mancha e sem defeito refere-se à Sua vida. Nunca ter estado sob jugo refere-se à Sua obra. Quanto à Sua vida, Ele é sem mancha; quanto à obra, Ele nunca esteve sob jugo. Com relação à Sua vida e pessoa, o Senhor é sem mancha e sem defeito. Não somente é sem mancha, mas também em Sua experiência Ele é puro, isto é, Ele nunca esteve sob jugo. Ele é um homem puro, e tem uma experiência pura. Muitas pessoas não têm mancha, mas têm estado sob jugo. Em Sua experiência, contudo, o Senhor nunca foi subjugado. Ele nunca tocou as coisas pecaminosas, e nunca foi oprimido ou dominado pelo pecado. Ele nunca foi induzido a pecar. Ele era completamente livre do jugo. Hoje, não podemos dizer o mesmo de nós, pois não somos pessoas livres. Temos sido oprimidos e dominados pelo pecado, temos sido induzidos pelo pecado e não somos senhores de nós mesmos. O Senhor Jesus não tem defeito. Somente o Senhor Jesus nunca esteve sob o jugo de pecado.
Isto é a novilha, a vitela, indicando que esse sacrifício foi oferecido pelos cristãos. Ela é vermelha. Isso significa que ela é oferecida pela redenção de pecado. Na Bíblia, o vermelho indica a redenção de pecado. Toda vez que a Bíblia menciona o escarlate ou o vermelho, isso significa pecado. A mulher em Apocalipse 18 monta um animal escarlate e usa uma vestidura escarlate, os quais se referem aos seus pecados.
Números 19:4 diz-nos o que acontece depois que a novilha é imolada. “Eleazar, o sacerdote, tomará do sangue com o dedo e dele espargirá para a frente da tenda da congregação sete vezes”. O sacerdote não fazia muitas coisas; ele somente espargia um pouco de sangue diante de Deus, no tabernáculo. Isso nos indica que a morte do Senhor Jesus satisfez as exigências de Deus. O sangue não era espargido nos filhos de Israel, mas diretamente diante da tenda da congregação. O tabernáculo é o lugar onde Deus se encontrava com os israelitas; ele é um tipo da comunhão entre Deus e o homem. Onde o tabernáculo de Deus está, aí Deus também está. Cristo é o tabernáculo; Ele é Deus vivendo entre os homens. Ele está cheio da graça e da verdade de Deus. Ele tabernaculou entre nós (Jo 1:14). Isso é a comunhão. Como podemos ter comunhão? Deve haver o sangue, ou seja, o pecado deve ser julgado. Se não houver sangue, o homem não poderá achegar-se a Deus.
Há somente duas maneiras de o homem achegar-se a Deus. Ou ele vem sem pecado, ou ele vem com o sangue. Se estiver sem pecado, você pode ir a Deus com passos corajosos, pois Ele nada pode fazer a você. Mas se você tiver pecado, deve haver o derramamento de sangue (Hb 9:22), porque Deus deve julgar o pecado. Se o pecado não for julgado, o homem não pode ter comunhão com Deus. Deus não pode ignorar os pecados do homem. Deus não pode deixar passar os pecados do homem. Se o homem tiver pecado, ele deve ir a Deus com o sangue. Deus é um Deus que julga. Sem passar pelo julgamento, o pecado não pode ser removido. O julgamento exige o sangue, portanto, deve haver o derramamento de sangue antes que a comunhão seja restaurada. O sangue foi espargido sete vezes; sete significa perfeição. A morte do Senhor Jesus satisfez a Deus; Seu sangue é suficiente para lavar os nossos pecados. Aqui, todos os problemas são completamente resolvidos; as justas exigências de Deus são satisfeitas. Deus disse que a obra está consumada. E tal obra é a obra do Senhor Jesus na cruz. Ela foi realizada uma única vez e está consumada para sempre. Não há necessidade de outra novilha vermelha. A morte de uma novilha vermelha é suficiente. Na primeira parte desta oferta vemos que a aspersão do sangue significa que o problema do pecado está resolvido. Esta parte da oferta é igual a todas as outras ofertas no Antigo Testamento. Todas elas são o cordeiro pascal.
Agora temos de considerar a segunda parte da oferta, a qual nos mostra o que deve ser feito com relação aos pecados dos cristãos. Números 19:5 diz: “À vista dele será queimada a novilha”. Esse sacrifício é único, porque a novilha não era simplesmente queimada, mas “o couro, a carne, o sangue e o excremento, tudo se queimará. E o sacerdote, tomando pau de cedro, hissopo, e estofo carmesim, os lançará no meio do fogo que queima a novilha”. Deus julgou o pecado. Pouco depois de o sangue ser espargido, o resto do sangue era despejado no fogo. Então, a novilha inteira também era lançada no fogo. O sacerdote queimava a novilha inteira — couro, carne, sangue, excremento, tudo. Além disso, pau de cedro, hissopo e estofo carmesim eram todos lançados no meio da fogueira. No versículo 9 é-nos dito o que acontecia depois que a novilha era queimada: “Um homem limpo ajuntará a cinza da novilha, e a depositará fora do arraial, num lugar limpo, e será ela guardada para a congregação dos filhos de Israel, para a água purificadora: é oferta pelo pecado”. Depois que a novilha era imolada, o sangue era aplicado. Mas depois que a novilha era queimada e tornava-se cinzas, as cinzas deviam ser aplicadas.
Que são cinzas? Cinzas são o estado final de tudo no mundo. Não estou me referindo às evidências da química, mas à nossa experiência diária. As cinzas são o último estado de todas as coisas. Se uma mesa passar seguidas vezes pela destruição, seu último estado será cinzas. Portanto, as cinzas representam o estado final. Quando alguma coisa chega ao seu fim máximo e não pode ser transformada em nada mais; ela é cinzas.
Tudo da novilha é queimado. Note particularmente aqui o sangue. Nessas cinzas estão o couro, a carne e o sangue. Isso significa que nessas cinzas estão a redenção de Cristo e a eterna eficácia de Sua redenção. Cristo é eternamente eficaz diante de Deus. Ele tornou-se as cinzas. O derramamento de Seu sangue é eternamente eficaz. Até mesmo o sangue tornou-se cinzas. A obra de redenção está consumada. A novilha vermelha retrata a obra redentora do Senhor, e essa obra agora tornou-se cinzas.
Há três outras coisas adicionadas à oferta: o pau de cedro, o hissopo e o estofo carmesim. Na Bíblia, quando o pau de cedro e o hissopo são colocados juntos denota todo o universo criado. O primeiro livro dos Reis 4:33 diz que Salomão tinha grande sabedoria; ele discorreu sobre todas as plantas, desde o cedro até ao hissopo; ele foi do alfa ao ômega. Ele esgotou todo o assunto. A Bíblia usa o cedro e o hissopo para representar o mundo todo. O cedro e o hissopo colocados no fogo indicam que, quando o Senhor Jesus foi julgado pelo pecado, Ele não somente foi queimado, mas todos nós também fomos. Deus julgou todos os homens na pessoa de Jesus de Nazaré. Quando o fogo passou sobre Ele, você e eu, o pau de cedro e o hissopo, tudo passou através do mesmo fogo. Tudo no mundo, seja grande ou pequeno, doce ou amargo, rico ou pobre, foi colocado sobre Ele e julgado por Deus. Aqui, o estofo carmesim também foi colocado no fogo. Isaías 1:18 diz que os nossos pecados são vermelhos como o carmesim. Por isso, carmesim significa pecado. Deus não somente nos julgou, como também julgou os nossos pecados; todos os pecados foram incluídos no Senhor Jesus. Quando Ele foi julgado por Deus, os pecados também o foram. Todos os problemas relacionados com o pecado também foram julgados. Portanto, o pau de cedro, o hissopo e o carmesim serem lançados ao fogo indicam que o mundo inteiro e todos os pecados do mundo conjuntamente passaram pelo fogo com o Senhor Jesus e tornaram-se cinzas. As cinzas incluem toda a obra do Senhor. Elas também incluem a nós e nossos pecados. Essas cinzas são eternamente eficazes. Portanto, essa obra tem uma eficácia que satisfaz todas as exigências de Deus perante Ele. Essas cinzas foram mantidas fora do arraial, num lugar limpo.
Números 19:11 em diante diz-nos sobre a função das cinzas. “Aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, imundo será sete dias. Ao terceiro dia e ao sétimo dia se purificará com esta água”. O versículo 9 diz-nos sobre essa água purificadora. “Um homem limpo ajuntará a cinza da novilha, e a depositará fora do arraial, num lugar limpo, e será ela guardada para a congregação dos filhos de Israel, para a água purificadora; é oferta pelo pecado”. A purificação aqui se refere à purificação por tocar num cadáver. Por que o fato de tocar num cadáver é considerado impuro? Porque a morte é a evidência do pecado. Sem pecado não haveria morte. Portanto, onde a morte estiver, o pecado também estará. Um cadáver indica que o pecado realizou sua obra. O resultado da obra do pecado é a morte. Por essa razão, o Antigo Testamento usa a lepra como um símbolo de pecado curável e um cadáver como um símbolo de pecado incurável. Quando um homem está morto em pecado e transgressões e está, portanto, morto em sua carne, ele é um cadáver. O Senhor Jesus fala sobre esses mortos. Ele nos disse para deixarmos os mortos enterrarem os mortos (Mt 8:22). Se você tocar nesses mortos, se tiver relacionamento com o mundo, se fizer amizade com ele e viver no meio dele, você estará tocando cadáveres. Se tocar em cadáveres, você certamente será contaminado, ficará manchado com impurezas. Quando os cristãos pecam e fracassam contatando o mundo, as cinzas são necessárias.
As cinzas são a obra da cruz. Elas são colocadas em água viva (Nm 19:17 - IBB - Rev.), e tornam-se a água purificadora. A água viva tipifica o Espírito Santo. Certa vez, enquanto os filhos de Israel viajavam, eles feriram a rocha, e dela saiu água (Êx 17:6). A Primeira Epístola aos Coríntios 10:4 diz que a rocha era Cristo. Portanto, a água corrente refere-se ao que flui de Cristo, que é o Espírito Santo. Tomar água e fazer dela a água purificadora significa que há necessidade de que o Espírito esteja sobre nós. Sem a obra do Espírito Santo, a obra do Senhor Jesus será em vão. Se houver somente as cinzas da novilha vermelha, sem água viva, elas não serão muito úteis. Juntamente com a obra do Senhor Jesus, ainda há a necessidade do Espírito Santo. Seremos purificados e lavados somente pela união dos dois. O Senhor Jesus não tem de morrer novamente. Para nossa purificação simplesmente aplicamos a eficácia da obra única do Senhor. As cinzas da novilha vermelha representam a eficácia eterna e imutável da obra do Senhor na cruz. É esta eficácia que está nos purificando. Por causa da morte do Senhor Jesus, a eficácia de Suas cinzas tornou-se eterna, e por meio do Espírito Santo Ele agora está aplicando essa eficácia a nós.
Toda vez que pecamos, não precisamos novamente trazer um touro a Deus. A eficácia da obra do Senhor há dois mil anos continua até hoje. Por meio destas cinzas somos purificados.
Que acontece se um homem não for purificado? Números 19:12 diz: “Ao terceiro dia o mesmo se purificará com aquela água [a água purificadora], e ao sétimo dia se tornará limpo: mas, se ao terceiro dia não se purificar, não se tornará limpo ao sétimo dia” (IBB - Rev.). Por que tal pessoa fica impura até ao sétimo dia? O homem purifica-se ao terceiro dia, mas não fica puro até ao sétimo dia. Ele não fica puro até ao sétimo dia, porque a meta é o sétimo dia, não o terceiro. O terceiro dia é o dia da ressurreição do Senhor Jesus. Depois que o Senhor ressuscitou, Ele nos deu a palavra do perdão de pecado. Então, que é o sétimo dia? Na Bíblia, o sétimo dia é o sábado. Hebreus 4:9 nos diz que há outro sábado. É o grande e universal sábado que ocorrerá no milênio. Isso significa que, se uma pessoa não for purificada na era da ressurreição do Senhor, ela não será limpa na era do reino. Se ela for purificada hoje, estará limpa ao sétimo dia, a era do reino. O terceiro dia é para o sétimo dia. O problema é com o sétimo dia. A eternidade foi estabelecida. O fato de sermos filhos de Deus nesta era também foi estabelecido. Todas as outras questões foram estabelecidas. O único problema hoje é se estaremos puros no reino.
No final desta parte, Números 19:13 diz: “Todo aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, e não se purificar, contamina o tabernáculo do Senhor”. Que é o tabernáculo do Senhor? O tabernáculo do Senhor, hoje, não é um salão de reuniões nem alguma capela; é o nosso corpo. Se um homem destruir o seu corpo, Deus o destruirá (1 Co 3:17). Se um homem contaminar o seu corpo, Deus dirá: “Essa pessoa será eliminada de Israel” (Nm 19:13b). Tal pessoa será eliminada de Israel. Não diz que ela será eliminada do Egito, mas de Israel. Isso significa que na época em que os filhos de Deus reinarem no milênio, essa pessoa será mantida fora. Se uma pessoa não for purificada hoje, ela será mantida fora do reino no futuro.
Em seguida lemos: “Porque a água purificadora não foi espargida sobre ele, imundo será: está nele ainda a sua imundícia”. Todos os pecados não confessados e todos os pecados que não passaram pelo sangue do Senhor Jesus deixam suas imundícias na pessoa. Essa imundícia levará tal pessoa a perder sua parte no reino vindouro. Por outro lado, aqueles que tiverem sido limpos pela água purificadora estarão puros no reino. Deixe-me dizer-lhe uma coisa: Nenhum pecado de que se tenha arrependido, confessado e posto debaixo do sangue do Senhor Jesus, e sobre o qual as cinzas tenham sido aplicadas, poderá manifestar-se no trono de julgamento. A água purificadora é capaz de remover as impurezas, porque o poder do sangue está nela. É o poder da redenção nessa água que a capacita a remover a impureza. Todo pecado que não tiver a eficácia da redenção do Senhor aplicada a ele, deixará a pessoa impura até ao “sétimo dia”. Portanto, não deixe que seus pecados permaneçam em você. As impurezas devem ser removidas com as cinzas do Senhor Jesus. Agradeço ao Senhor que o Filho de Deus não precisa mais morrer por mim. Por Suas cinzas estou purificado. Contudo, é tolice, e também é perigoso, permitir que qualquer impureza permaneça.

Capítulo Vinte e Quatro

A maneira de Deus lidar com os pecados dos cristãos — A GEENA DE FOGO NO REINO
Há muitas passagens na Bíblia que mencionam a punição de Deus para os cristãos derrotados, no reino milenar. Examinaremos agora essas passagens e, posteriormente, chegaremos a uma conclusão sobre elas.
A ENTRADA E A POSIÇÃO NO REINO
Consideremos primeiramente Mateus 18:1-3: “Naquela hora, aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é o maior no reino dos céus? E Jesus, chamando a Si uma criança, colocou-a no meio deles, e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus”. Aqui os discípulos fizeram uma pergunta sobre o reino dos céus, uma pergunta acerca da posição no reino. Não se trata de uma pergunta envolvendo salvação e perdição, mas diz respeito a ser grande ou pequeno, superior ou inferior, no reino. O Senhor Jesus mostra-nos que, a menos que nos convertamos e nos tornemos como crianças, não poderemos entrar no reino dos céus. A seguir, o versículo 4 diz: “Portanto, aquele que a si mesmo se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus”. O versículo 3 nos dá a condição para entrar no reino, enquanto o versículo 4 nos dá a maneira de ser grande no reino. O versículo 3 diz que devemos converter-nos e tornar-nos como crianças antes de poder entrar no reino, e o versículo 4 diz que se continuarmos a ser crianças e nos humilharmos, seremos os maiores no reino dos céus. Isso nos mostra que no reino devemos continuar da mesma maneira que começamos. A direção que tomamos para entrar no reino deve ser a mesma para continuar nele. Para entrarmos no reino dos céus, temos de converter-nos e tornar-nos como crianças; e para sermos grandes no reino dos céus, temos de continuar a ser humildes como crianças. Aqui o Senhor continua a ressaltar a questão de sermos como crianças.
Em seguida, o Senhor diz: “E qualquer que acolher uma criança, tal como esta, por causa de Meu nome, a Mim Me acolhe” (v. 5). Quem quer que acolha alguém como esta criança por causa do nome de Cristo, isto é, alguém que se converte e se torna como uma criança e continua a ser humilde como esta criança, recebe a Cristo. “Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar” (v. 6). Essa palavra indica que fazer alguém tropeçar é um problema maior do que sofrer e ser morto. Suponha que alguém o matasse e atirasse seu corpo ao mar. Você nem mesmo seria enterrado adequadamente, o que sem dúvida seria uma tragédia. No entanto, se você fizer alguém tropeçar, seu destino será pior do que esse. O versículo 7 diz: “Ai do mundo por causa dos tropeços; porque é necessário que venham tropeços, mas ai do homem por quem vem o tropeço.”
A GEENA DE FOGO NO REINO
Os versículos 1 a 7 de Mateus 18 são palavras gerais do Senhor, e podemos mencioná-las de maneira breve. Queremos dar maior atenção às palavras que iniciam o versículo 8. Aqui o Senhor Jesus estende o assunto para dar ênfase que não apenas é errado fazer os outros tropeçarem, mas até mesmo fazer tropeçar a si mesmo é questão séria e grave. O versículo 8 diz: “Se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o, e lança-o de ti”. A quem se refere o “ti” aqui? Nos versículos 3 a 7, “vos” refere-se aos discípulos que fizeram a pergunta no versículo 1. Após o Senhor Jesus responder-lhes, Ele lhes disse para serem vigilantes e não serem tropeço para os outros. As palavras do Senhor o versículo 8 são dirigidas às mesmas pessoas. Se sua mão ou seu pé faz com que você tropece, é melhor cortá-los e lançá-los fora. É claro que isso não deve ser tomado literalmente. Se as suas mãos roubam e seus pés andam por caminhos indevidos, isto é, se existe pecado e lascívia em você, você deve lidar com eles. “Melhor te é entrar na vida aleijado ou coxo do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno” (v. 8).
O Senhor mostra-nos aqui que se os cristãos cometerem pecados e os tolerarem, eles sofrerão: ou serão lançados no fogo eterno com as duas mãos e os dois pés, ou entrarão na vida com uma mão ou um pé. Há também os que não controlarão suas concupiscências e serão lançados no fogo eterno. O fogo é um fogo eterno, mas aqui não diz que eles permanecerão no fogo eterno para sempre. O que o Senhor Jesus não disse é tão significativo quanto o que Ele disse. Se uma pessoa tornou-se cristã, mas suas mãos ou pés pecam o tempo todo, ela sofrerá a punição do fogo eterno na época do reino dos céus; ela não sofrerá essa punição eternamente, mas apenas na era do reino.
Que significa cortar uma mão ou um pé? Quando um homem corta sua mão ou pé, ele ainda pode pecar. Se não tiver pé, ele pode andar de carro. Se uma de suas mãos é cortada, ele ainda pode pecar com a outra mão. A intenção do Senhor não é que cortemos a mão ou o pé, pois mesmo que cortemos uma mão, ainda podemos não remover nossa lascívia. Portanto, esta palavra não deve referir-se ao corpo exterior, mas à concupiscência interior. O que temos de arrancar é aquilo que nos força a pecar.
Outra coisa que temos de perceber é que a pessoa da qual se fala aqui é um cristão, pois somente um cristão já tem todo o corpo limpo e pode assim entrar na vida após lidar com a lascívia em um único membro do seu corpo. Para os incrédulos não seria suficiente cortar uma mão ou um pé, porque mesmo que eles cortassem ambas as mãos e ambos os pés, ainda assim iriam para o inferno. A fim de entrar no reino dos céus, é melhor um cristão ter o corpo incompleto do que ir para o fogo eterno por causa de um tratamento incompleto.
A seguir, o versículo 9 diz: “Se o teu olho te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho do que, tendo dois olhos ser lançado na Geena de fogo”. Isso nos mostra que se uma pessoa salva não lida com sua lascívia, ela não será capaz de entrar na vida, mas irá para o fogo eterno. O fogo eterno aqui é a Geena de fogo. A Bíblia nos mostra que um cristão tem a possibilidade de sofrer a Geena de fogo. Evidentemente, embora possa sofrer a Geena de fogo, ele não sofrerá para sempre, mas sofrerá somente durante a era do reino.
Mateus 18 não é a única porção das Escrituras que diz isso. Em outras porções da Bíblia também há o mesmo ensinamento. Por exemplo, no Sermão do Monte em Mateus 5—7 há palavras claras do mesmo tipo. Mateus 5:21-22 diz: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem disser a seu irmão: Raca, estará sujeito ao julgamento do Sinédrio; e quem lhe disser: Moré, estará sujeito à Geena de fogo”. No início do capítulo cinco, lemos que o Senhor Jesus viu a multidão, contudo Ele não ensinou à multidão. Pelo contrário, Ele ensinou aos discípulos (v. 1). O Sermão no Monte é para os discípulos. Portanto, aquele que insulta a outro, no versículo 22, é um irmão. Ele chama outro irmão de “Raca”, que quer dizer “imprestável” ou tolo. Quando chama seu irmão dessa forma, ele fica sujeito à Geena de fogo. Isso não se refere a uma pessoa não-salva, pois um não-salvo irá ao inferno mesmo que não chame ninguém de tolo. Toda vez que a Bíblia fala sobre obras, ela se refere a alguém que pertence a Deus. Se uma pessoa não pertence a Deus, não há necessidade de mencionar tais coisas. Aqui, se trata de uma pessoa salva, um irmão, mas por ter ofendido a seu irmão ele está sujeito à Geena de fogo.
O versículo 23 diz: “Se estiveres apresentando a tua oferta no altar e, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti”. Muitas vezes as pessoas guardam coisas contra nós de propósito, e não há nada que possamos fazer sobre isso; mas se alguém se queixar por causa do nosso insulto, devemos ser cuidadosos ao trazer a oferta ao altar. Se pensar mal de um irmão e falar algo contra ele, você deve ir a ele e lidar com essa questão. “Deixa ali perante o altar a tua oferta e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, vem apresentar a tua oferta” (v. 24). O importante é reconciliar-se com seu irmão. O versículo 25 diz: “Entra em acordo sem demora com o teu adversário enquanto estás com ele a caminho”. Seu irmão é quem se queixa, e você é o réu. Agora ele o está levando ao tribunal: “Para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz ao oficial de justiça, e sejas lançado à prisão” (v. 25). Tal fato ocorrerá no reino. O reino será muito rigoroso.
Agora direi algumas palavras francas e sérias. Dois irmãos ou duas irmãs que estejam em discórdia não podem estar juntas no reino. No reino vindouro, haverá somente amor e misericórdia; apenas os que amam e têm misericórdia dos outros poderão estar no reino dos céus. Se estou envolvido em uma discussão com um irmão, e se a questão não for resolvida nesta era, então, no futuro, ou ambos seremos excluídos do reino, ou somente um de nós entrará. Não será possível ambos entrarmos. É impossível termos problemas uns com os outros e ainda reinar ao mesmo tempo no milênio futuramente. No reino todos os cristãos serão unânimes. Não haverá absolutamente quaisquer barreiras entre duas pessoas. Se hoje enquanto estamos na terra, tivermos algum atrito com qualquer irmão ou irmã, se tivermos obstáculos com qualquer irmão ou irmã, temos de ser cuidadosos. Poderá ocorrer de nós entrarmos e o outro ser excluído, ou de o outro entrar e de nós sermos excluídos, ou de ambos sermos excluídos. O Senhor diz que enquanto estiver com seu irmão a caminho, você deve reconciliar-se com ele. Isso significa que enquanto você e ele estiverem vivos e antes que o Senhor Jesus volte, você tem de reconciliar-se com seu irmão. O Senhor não irá tolerar que dois inimigos fiquem queixando-se um do outro no reino. Hoje podemos fazer queixas sobre os outros com muita facilidade; mas tais queixas vão manter a nós, ou a outros, ou a ambos, do lado de fora do reino. Parece que hoje a igreja é muito livre, mas não será assim naquele dia. “Enquanto estás com ele a caminho”, diz o Senhor. Se você morrer, se ele morrer ou se o Senhor Jesus voltar, esse caminho terá acabado. Portanto, você deve resolver a questão rapidamente, antes que o Senhor volte e enquanto você e ele estão a caminho. “Para que o adversário não te entregue ao juiz”, o juiz é o Senhor Jesus; “o juiz ao oficial de justiça”, o oficial de justiça é o anjo; “e sejas recolhido à prisão”. Isso nos mostra claramente que um irmão que tenha ofendido a outro irmão sofrerá uma punição muito severa.
Se estudar esta passagem cuidadosamente, você verá que a prisão aqui é a Geena de fogo no versículo 22, porque o versículo 23 começa com “portanto”. As palavras do versículo 23 em diante são uma explicação das palavras do versículo 22. O versículo 22 diz que qualquer um que chame seu irmão de Moré estará sujeito à Geena de fogo. Os versículos 23 a 25 seguem dizendo que aqueles que não se reconciliarem com seus irmãos serão lançados na prisão. Portanto, a prisão no versículo 25 é evidentemente a Geena de fogo do versículo 22. Está claro que não existe possibilidade de um cristão perecer eternamente; contudo, se um cristão tiver qualquer pecado de que não tenha se arrependido e confessado, o qual não foi perdoado, ele estará sujeito à Geena de fogo. Note quão severas são as palavras do Senhor no versículo 26: “Em verdade te digo: De modo algum sairás dali, enquanto não pagares o último centavo”. Existe a possibilidade de sair, se a pessoa pagar tudo. Na era vindoura, ainda há a possibilidade de perdão, mas a pessoa não poderá sair até que pague o último centavo e ponha tudo em ordem com seu irmão.
Os versículos 27 a 30 formam outra seção. Essa seção é semelhante à anterior. “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para cobiçar, no coração já adulterou com ela”. O mandamento no Antigo Testamento diz que não devemos cometer adultério, mas o mandamento do Novo Testamento diz que não podemos sequer ter pensamentos adúlteros. Aqui, a palavra “mulher”, na língua original, refere-se à esposa de outro homem. Se a mulher não fosse esposa de outro homem, não haveria possibilidade de adultério, pois adultério é a infidelidade no casamento. Se não for a esposa de outro homem, não pode ser considerado como adultério; é fornicação. A Bíblia julga a fornicação, mas não tanto quanto ela julga o adultério. Aqui se diz que um pensamento adúltero é produzido com relação à esposa de outro.
Segundo, o significado da palavra “olhar”, na língua original, não é tão amplo quanto o da nossa palavra “olhar”. A palavra “olhar” na língua original coloca muitas pessoas nesta categoria de pecado, pois ela não implica um olhar casual, mas um olhar intencional. Olhar pode ser simplesmente olhar de relance, de modo acidental para algo na rua. “Observar” é uma palavra melhor, pois observar é um olhar intencional. Além disso, na língua original o observar aqui é realizado com um propósito específico. Podemos traduzir assim: “qualquer que observar uma mulher com intenção impura”. O que o Senhor condena não são os pensamentos repentinos que entram na mente. Ele está lidando é com continuar observando com intenção impura, depois que um pensamento repentino entra. Em outras palavras, nossos pecados não residem na incitação da carne por Satanás dando-nos pensamentos sujos. Nossos pecados consistem no observar adicional, após Satanás ter-nos dado um pensamento repentino. Isso é adultério. Os pensamentos repentinos vêm de Satanás. O observar vem de você mesmo. Os pensamentos repentinos são tentações. O seu observar é a sua aceitação das tentações. Devemos saber como distinguir essas duas coisas.
O versículo 29 diz: “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti”. Se o seu olho direito leva-o a observar, arranque-o e jogue-o fora. “Pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado na Geena”. Se a lascívia não for removida, se o pecado não for tratado, a pessoa será “lançada na Geena”. Em seguida o versículo 30 diz: “E se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros e não vá todo o teu corpo para a Geena”. O Senhor Jesus falou essas palavras aos discípulos. Cristo disse àqueles que Lhe pertenciam, cuja justiça deveria exceder à dos fariseus e escribas (v. 20), que eles tinham de tratar com seus pecados. Se permitissem que o pecado se desenvolvesse neles, embora não fossem perecer eternamente, havia a possibilidade de que fossem para a Geena. Isso é o que o Senhor nos mostra no livro de Mateus.
TEMER AQUELE QUE TEM AUTORIDADE PARA LANÇAR NA GEENA
Agora vejamos o que dizem outras passagens da Bíblia acerca desta questão. Lucas 12:1 diz: “Aglomerando-se, entrementes, as miríades da multidão, a ponto de se atropelarem uns aos outros, pôs-se Jesus a dizer primeiro aos Seus discípulos”. Ele não falou a todos, mas aos discípulos primeiramente. “Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”. A palavra do Senhor aqui prova que os discípulos não são os hipócritas; eles são o povo de Deus. A seguir, nos versículos 4 e 5, o Senhor disse: “Digo-vos, amigos Meus: Não temais os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer. Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: Temei Aquele que, depois de matar, tem autoridade para lançar na Geena”. A palavra de Deus é suficientemente clara. Ela nos diz, não uma vez, mas muitas vezes, que é possível um cristão ser “lançado na Geena”. Isso está dito claramente aqui. O Senhor disse aos discípulos para não temerem aqueles que matam o corpo, mas depois disso nada mais podem fazer. Eles não deveriam temer o que alguns poderiam fazer ao corpo deles, uma vez que isso é tudo o que conseguiriam fazer. No entanto, eles deveriam temer Aquele que pode lançá-los na Geena.
Os versículos seguintes também provam que aqui o Senhor está se referindo aos discípulos, isto é, aos cristãos. Os versículos 6 e 7 dizem: “Não se vendem cinco pardais por dois asses? E nenhum deles é esquecido diante de Deus. Mas até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais; mais valeis do que muitos pardais”. Apenas os cristãos são pardais. Os não-salvos não são pardais; eles são corvos. Em Mateus, os lírios do campo e também os pardais referem-se aos cristãos. Os pardais não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros (Mt 6:26). Isso se refere aos cristãos e não aos incrédulos. Aqui se diz claramente que é possível os “pardais” de Deus serem “lançados na Geena”. Note também que é dito que os cabelos dessas pessoas foram todos contados. Deus não teria tamanho cuidado com incrédulos. Portanto, o que se quer mostrar aqui é que os que pertencem ao Senhor não precisam temer o que possam fazer a seus corpos. O único a quem eles devem temer é Deus, pois Ele tem autoridade para lançá-los “na Geena”. Devemos temer a Deus que possui a autoridade para lidar com nossa alma, e não os que apenas podem matar nosso corpo.
Os dois versículos seguintes, 8 e 9, são muito preciosos. “Digo-vos ainda: Todo aquele que, em Mim, Me confessar diante dos homens, também o Filho do Homem, nele, o confessará diante dos anjos de Deus; mas aquele que Me negar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus”. Os cristãos podem ser divididos em duas classes: os que confessam e os que não confessam o Seu nome. Alguns confessam Seu nome, enquanto outros não. Alguns estão preparados para ser perseguidos, enquanto outros não estão. Alguns só serão cristãos secretamente; são os que desejam a glória do homem. Outros confessam o Senhor abertamente e estão prontos a ser mártires. Portanto, vocês podem ver a quem o Senhor se refere nesses versículos de Lucas 12. Não devemos temer qualquer sofrimento que venha por confessar Seu nome. Se não confessamos o Seu nome, nosso pecado é mais sério que todos os outros pecados. Conseqüentemente, Ele não confessará nossos nomes diante dos anjos de Deus. Quando você considerar os versículos 1 a 9 como um todo, verá que o “lançar na Geena” no versículo 5 é equivalente ao Senhor não confessar o nome deles diante dos anjos no versículo 9. A confissão diante dos anjos pode ser ilustrada com um exemplo. Suponha que um jovem tenha feito algo errado e termine numa cadeia. Seus pais ou outros membros da família podem pagar a fiança e livrá-lo do problema. Mas suponha que o jovem seja realmente mau, e seus pais sintam que ele precisa de algum sofrimento. Como resultado, seus pais não pagam a fiança. O mesmo ocorre com os cristãos. A não ser que o Senhor confesse nossos nomes, seremos punidos.
Há uma palavra maravilhosa em Apocalipse 3:5: “O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do livro da vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos”. No início do reino, antes do trono de julgamento, os anjos de Deus levarão os cristãos até Deus. O livro da vida estará ali. No livro da vida estão registrados todos os nomes dos cristãos. Haverá muitos anjos e muitos cristãos. O Senhor Jesus também estará ali. Um ou mais anjos, então, lerão em voz alta os nomes do livro da vida, e o Senhor Jesus confessará alguns dos nomes. Aqueles cujos nomes Ele confessar, por conseguinte, entrarão no reino. Quando outros nomes forem lidos, o Senhor não dirá nada. Em outras palavras, Ele não confessará seus nomes. Os anjos, então, colocarão um sinal negativo nesses nomes. Portanto, os nomes dos vencedores estarão sem marca no livro da vida, enquanto os nomes dos derrotados estarão marcados. Quanto aos não-salvos, seus nomes nem sequer aparecem no livro da vida. Um grupo de pessoas não terá seus nomes no livro; outro grupo terá seus nomes ali, mas os nomes estarão marcados; e um terceiro grupo, à época do reino, terá seus nomes preservados tal qual quando inicialmente foram escritos no livro.
Se o seu nome estiver marcado no trono de julgamento, isso não significa que você estará acabado e não mais será salvo. Apocalipse 20:15 diz: “E, se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado para dentro do lago do fogo”. Isso nos mostra que aqueles cujos nomes não estiverem registrados no livro da vida estarão eternamente no lago do fogo. Aqueles cujos nomes não aparecerem no livro da vida serão lançados no lago do fogo. Isso ocorrerá no início do novo céu e nova terra. Não podemos dizer que os que são citados em Apocalipse 3 não têm seus nomes escritos no livro da vida. Podemos dizer apenas que seus nomes foram marcados. Por conseguinte, eles não serão lançados no lago do fogo, pois seus nomes já estão no livro da vida. A salvação eterna é muito segura; ela jamais pode ser abalada. Por outro lado, porém, há um perigo. Se formos tolerantes com o pecado, se não perdoarmos aos outros, se cometermos adultério, se insultarmos os irmãos, se temermos sofrer, ser envergonhados, perseguidos e se temermos confessar o Senhor, temos de ser cuidadosos, pois Deus nos lançará “na Geena” para sermos punidos temporariamente.
O DANO DA SEGUNDA MORTE
Na Bíblia existem outras passagens similares que também falam destas questões. Apocalipse 2:11 nos diz que os que vencerem não sofrerão o dano da segunda morte, e Apocalipse 20:6 diz que um grupo de pessoas não morrerá novamente e a segunda morte não terá autoridade sobre elas. A segunda morte é o lago de fogo citado no final de Apocalipse 20. Isso significa que os derrotados sofrerão o dano da segunda morte. Ainda que não sofram a segunda morte, irão sofrer o dano da segunda morte. Uma vez que uma pessoa seja salva, ela não sofrerá a segunda morte. Contudo isso não garante que ela não sofrerá o dano da segunda morte.
Sabemos que o tempo do lago do fogo e enxofre será o tempo no qual terá início o novo céu e nova terra. Naquela época, Satanás, o mundo e a morte serão todos lançados no lago do fogo (Ap 20:10, 14). Também naquele tempo quem não tiver seu nome registrado no livro da vida será lançado no lago do fogo. Aquele será o tempo em que os incrédulos serão oficialmente postos no lago do fogo. Entretanto, durante o milênio, os cristãos derrotados sofrerão o dano da segunda morte. Obviamente tal tratamento não será igual ao que os incrédulos terão, pois não será para a eternidade. Se um cristão estiver unido ao mundo e se ele amar o mundo e as coisas do mundo, o Senhor permitirá que ele participe da corrupção, para sofrer um pouco daquilo que os incrédulos sofrerão. Este é o significado de sofrer o dano da segunda morte em Apocalipse 2, e esta palavra é dita aos cristãos. A palavra “dano” na língua original significa machucar alguém e prejudicá-lo. A segunda morte causará sofrimento em alguns. A partir do grande trono branco, haverá a própria segunda morte, que é o sofrimento eterno no lago do fogo e enxofre. No milênio, porém, haverá somente o dano da segunda morte. Se alguns cristãos não tiverem lidado com seus pecados, eles ainda sofrerão o dano e a dor da segunda morte.
O FIM É SER QUEIMADO
Leiamos agora duas passagens do livro de Hebreus. Hebreus 6:4-6 diz: “É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento”. Esses versículos descrevem uma pessoa que possui muitas qualificações. É impossível que ela seja uma pessoa não-salva. Ela viu a luz, e viu o Deus revelado, o Unigênito do Pai; conheceu o amor de Deus e provou o dom celestial, o único dom, Jesus Cristo. Na Bíblia, dons, como um substantivo plural, refere-se aos dons do Espírito Santo, e dom, como um substantivo singular refere-se ao único dom, o unigênito Filho de Deus, como está em João 3:16. Esse dom é diferente dos dons do Espírito Santo. Essa pessoa não apenas tem Deus e o Senhor Jesus, mas também tornou-se participante do Espírito Santo. Ela conhece a Deus, provou do Senhor Jesus e tem o Espírito Santo vivendo dentro de si. Além disso, ela provou a boa palavra de Deus e os poderes da era vindoura. Os poderes da era vindoura são os poderes do reino milenar. Os dons e os poderes do Espírito Santo são particularmente abundantes no reino milenar. O reino milenar será repleto de obras de poder, milagres, maravilhas e outras coisas semelhantes. Dizer que alguém provou os poderes da era vindoura significa dizer que ele provou as coisas do reino milenar. Portanto, esta pessoa é definitivamente uma pessoa salva.
Se tal pessoa deixa hoje a palavra de Cristo, que ela recebeu quando creu, e escorrega e cai, não há arrependimento para ela. Ela não pode começar tudo de novo para crer no Senhor Jesus, pois já tem uma longa história com o Senhor. Ela recebeu muita chuva, porém caiu, não produz mais coisas boas para Deus, mas tem produzido cardos e abrolhos. Tal pessoa é como “a terra que absorve a chuva que freqüentemente cai sobre ela, e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada, recebe bênção da parte de Deus; mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada, e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada” (vs. 7-8).
Perceba três coisas acerca desta pessoa e seu fim. Primeira coisa, ela é “rejeitada”. A palavra “rejeitada” aqui é a mesma usada em 1 Coríntios 9:27, onde Paulo disse que temia que embora tivesse pregado o evangelho a outros, ele mesmo fosse desqualificado e não fosse mais usado por Deus nesta era e no reino. Ser rejeitado, ser desqualificado, significa que Deus rejeitará tal pessoa e não a usará mais no reino. Segunda coisa, esta pessoa “perto está da maldição”. O versículo não diz que ela receberá maldição, mas a punição que receberá é semelhante a uma maldição. Ela não perecerá eternamente, mas sofrerá o dano da segunda morte e padecerá a Geena de fogo no reino. Terceira coisa, “seu fim é ser queimada”. Que é isso? Por exemplo, há algumas semanas eu quis fazer uma queimada em algumas terras em Jen-ru. Poderia eu queimar a terra eternamente? Poderia queimar a terra pelo menos por cinco anos? O queimar aqui se refere a algo temporário.
Aqui se fala sobre queimar, enquanto Mateus 5 diz que alguns estarão sujeitos à Geena de fogo. Se você puser essas duas passagens juntas, elas se combinarão. Se um cristão recebe todas essas coisas maravilhosas, mas não produz bom fruto para Deus, e sim, cardos e abrolhos, ele será queimado. Entretanto, esse queimar será apenas por breve tempo. Até mesmo um aluno do primário sabe que se você atear fogo em um terreno, o fogo irá parar após todo o mato ser queimado. A queimada no reino durará no máximo mil anos. Quanto tempo vai durar a queimada, na verdade, dependerá de você. Se você tiver produzido muitos cardos e abrolhos, então haverá mais queima. Se tiver produzido poucos cardos e abrolhos, então haverá menos queima.
Quantas coisas há em nós que ainda não foram tratadas? Quantas coisas não foram limpas pelo sangue do Senhor, e quantas coisas ainda não foram confessadas, tratadas e resolvidas com os irmãos e as irmãs? São esses os cardos e abrolhos a que o Senhor se refere. Mateus 5 diz que ninguém poderá sair dali enquanto não pagar o último centavo. Toda dívida terá de ser paga. Quando tudo houver sido queimado, toda dívida terá sido paga.
Um cristão é semelhante a um campo, e seu comportamento indevido é comparado a cardos e abrolhos. Suponha que eu possua um terreno de cinco alqueires. Seria possível, depois da queimada, que somente dois alqueires tenham sido deixados intactos e três tenham sido queimados? Isso é impossível. O que é queimado são os cardos e abrolhos. O terreno em si não pode ser queimado. Em outras palavras, somente aquelas coisas que foram amaldiçoadas em Adão e deveriam ser removidas, mas não foram, é que serão queimadas. Elas serão o material que será queimado na Geena de fogo. A vida que Deus nos concedeu não pode ser tocada pelo fogo. Portanto, depois que os cardos e abrolhos forem queimados, o terreno ainda permanecerá. Nenhuma parte dele será tirada. Não há absolutamente nenhum problema com a nossa salvação, mas sim com o que vier a crescer sobre ela, com o que for proveniente da carne. Se tais coisas não forem tratadas com o sangue de Jesus, deveremos sofrer algum tratamento.
Agora vejamos Hebreus 10:26-29: “Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança”. Esses versículos referem-se a alguém que rejeitou a Cristo e voltou ao judaísmo. Ele acha que gastando alguns dólares pode comprar um touro ou um bode como oferta pelo pecado. Se, porém, alguém conheceu a Cristo e voltou ao judaísmo, ele calcou aos pés o Filho de Deus e considerou Seu sangue como algo comum. Ele está tratando o Senhor como um touro ou um bode. Para ele não existe diferença entre o Senhor e um touro ou um bode. O versículo conclui: “E ultrajou o Espírito da graça”. Enquanto o Espírito Santo está lhe dando graça, ele O está insultando por voltar ao judaísmo. Esses versículos nos mostram o caminho de um apóstata. Eu não diria que tal pessoa seja salva; somente diria que pode ser que ela seja salva; talvez nem seja salva. O apóstolo não nos diz se tal pessoa é salva ou não. Ele diz apenas que, se uma pessoa veio a Cristo e depois voltou ao judaísmo, ela sofrerá pior punição. Seu fim é uma expectação de juízo e fogo vingador. Aqui vemos uma espécie de fogo.
Juntamente com todas essas passagens, temos também as próprias palavras do Senhor em João 15. O versículo 2 diz: “Todo ramo em Mim que não der fruto, Ele o corta; e todo o que dá fruto Ele o limpa”. Esses não são ramos que nada têm que ver com Ele; são ramos que estão Nele. O que é mostrado aqui, pode não referir-se à punição temporária, mas à disciplina nesta era. Mas atente para o versículo 6: “Se alguém não permanece em Mim, é lançado fora, como o ramo, e seca; e os apanham, lançam no fogo, e são queimados”. Alguns ramos serão lançados no fogo e queimados. Alguns ramos cresceram e produziram folhas verdes, mas não têm fruto. Embora tenham vida interiormente, eles não têm fruto exteriormente. O Senhor Jesus disse que eles serão lançados fora, secarão, e queimarão no fogo. Aqui vemos claramente que os cristãos podem ter de passar pelo fogo.
Tendo lido todas essas passagens, podemos concluir que se um cristão não lidar adequadamente com seus pecados, haverá punição à sua espera. A Bíblia nos mostra nitidamente que tipo de punição será. Não será uma punição comum, mas a punição da “Geena de fogo”. Contudo será o fogo no reino, não o fogo na eternidade.
A questão agora é esta: Que tipo de pecado levará a essa condição? Desde que uma pessoa seja salva, é importante que ela lide com seus pecados. Nenhum dos pecados que ela tenha confessado, se arrependido, tratado e feito remissão pelo sangue do Senhor Jesus, voltará a ela no trono de julgamento. Tais pecados terão passado. Até mesmo o maior dos pecados terá passado. Mas existem muitos pecados que não serão omitidos; são os pecados que alguém contempla em seu coração. O Salmo 66:18 diz: “Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido”. Quais são os pecados que o coração contempla? O coração é o lugar onde residem nosso amor e nossos desejos. O coração representa nossa emoção. Ele representa o homem psicológico. Se o coração contemplar a vaidade, o Senhor não nos ouvirá. Muitas confissões são feitas só porque a pessoa sabe que pecou, não há aversão pelo pecado, tampouco condenação do pecado. Tal pessoa o Senhor não ouvirá. Além disso, se temos com alguém um problema que não foi resolvido, ou se há coisas que precisam ser perdoadas e não foram, ou se procedemos mal com as pessoas ou com o Senhor, temos de tratar com estas coisas de modo específico. Ao mesmo tempo, temos de colocá-las debaixo do sangue do Senhor. Só então tais coisas estarão tratadas, e estaremos livres do julgamento vindouro.
RESUMO
Vamos agora resumir o que vimos. O futuro dos cristãos é muito simples. Para uma pessoa salva o assunto do novo céu e nova terra, incluindo toda a eternidade, está resolvido. No entanto, a era do reino é duvidosa. Ninguém ousa dizer algo sobre o que ocorrerá. O que temos de resolver hoje é o problema do reino. No reino há muitas posições de cristãos. Muitos reinarão com Cristo por ter trabalhado fielmente e por ter sofrido perseguição, vergonha e sofrimento. Alguns podem não ter sofrido perseguição, vergonha e sofrimento, contudo eles também não têm pecados. Eles viveram uma vida limpa. Apesar de não terem feito nada que mereça um mérito especial, eles pelo menos deram um copo de água para um pequenino por causa do nome do Senhor (Mt 10:42). Eles também receberão uma recompensa; entretanto, sua recompensa será bem pequena.
Na era do reino, alguns cristãos receberão recompensa no reino. Alguns receberão uma grande recompensa; outros receberão uma recompensa pequena.
Os que não receberão recompensa também estão divididos em algumas categorias. Um grupo não entrará no reino de modo algum. A Bíblia não nos diz para onde eles irão; diz apenas que serão mantidos fora do reino, nas trevas exteriores (Mt 8:12; 22:13; 25:30; Lc 13:28). Eles serão deixados fora da glória de Deus. Haverá também muitos que, além de não terem trabalhado bem, têm pecados específicos que ainda não foram tratados. Eles são salvos, mas ao morrer, ainda têm pecados com os quais não trataram e dos quais não se arrependeram; eles ainda têm o problema do pecado. Esses tais serão temporariamente submetidos ao fogo, e sairão somente depois de terem pago todo seu débito. Eu não sei, na verdade, de quanto tempo esse período será, mas durará no máximo até o final do reino.
Ainda há muitas coisas das quais não estamos esclarecidos acerca do futuro, mas a Bíblia mostrou-nos o suficiente. Embora haja detalhes que ainda não vimos, nós de fato sabemos o que os filhos de Deus enfrentarão. Alguns receberão uma recompensa; alguns experimentarão corrupção. Alguns serão aprisionados, e outros serão lançados no fogo e serão queimados.
A questão da nossa salvação está muito clara. Quando um homem crê no Senhor Jesus, tanto a salvação como a vida eterna estão determinadas para ele. Mas, da salvação até sua morte, as obras de uma pessoa, isto é, seus fracassos ou suas vitórias, determinarão seu destino no reino. Nosso Deus é um Deus justo. Por um lado, nossa salvação é livre, e os que crêem terão vida eterna. Ninguém pode contrariar esse fato. Por outro lado, não podemos pecar à vontade, simplesmente porque recebemos a vida eterna. Se produzirmos cardos e abrolhos, seremos queimados. Se o Senhor Jesus não pode desligar-nos de nossos pecados e se não resolvermos todas as coisas em nossa vida, Deus não terá escolha a não ser castigar-nos no futuro; Ele não terá escolha, senão purificar-nos com punições específicas, de maneira que possamos estar juntos com Ele no novo céu e nova terra. Deus é um Deus justo. O que Ele preparou também é justo. Desde que tenhamos visto estas coisas, devemos aprender a lição e acatar as advertências de Deus.
A ATITUDE ADEQUADA AO LER A BÍBLIA
Com relação à maneira de estudar a Bíblia, eu gostaria de mencionar algumas coisas. Primeiro, há um grupo de pessoas que acredita apenas na graça. Sempre que lêem alguma coisa sobre o reino na Bíblia, eles a aplicam aos judeus. Se ouvir seus sermões e ler seus livros, perceberá que, invariavelmente, eles empurram para os judeus tudo o que se refere ao reino. Tudo o que se refere à graça é para a igreja, e todas as coisas terríveis são para os judeus. Para eles, todas as coisas penosas e difíceis e as exigências são para os judeus, não para nós. Isso é tolice. A Palavra de Deus é para Seus filhos, quer sejam judeus quer sejam gentios. Alguns dizem que Paulo nunca disse especificamente que suas epístolas foram escritas a gentios e, portanto, elas não são para os gentios. Contudo, esse tipo de explanação nada explica e mutila a Palavra de Deus. Outros dizem que as porções das Escrituras citadas anteriormente referem-se somente aos incrédulos. Mas como pode existir distinção entre vencedores e não-vencedores dentre os pecadores? Isso é conversa tola. A Palavra de Deus nos mostra essas questões de forma clara e definida. Devemos comer aquilo que Deus nos tem dado, quer seja doce quer seja amargo. Quando as pessoas ouvem sobre graça, elas ficam alegres; quando ouvem sobre o reino, ficam tristes. A Palavra, porém, é equilibrada. Por um lado, vemos graça; por outro lado, vemos justiça.
Existe a fábula da águia e o gato. Certa vez um gato encontrou uma águia. A águia disse ao gato: “O céu é realmente vasto. Ele tem isso e aquilo. Você quer que eu o leve para o céu?” O gato disse: “Não, eu não tenho interesse em ir para lá”. Quando a águia perguntou por que não, o gato disse: “Não há camundongos no céu. Se houvesse camundongos lá, eu iria. Mas uma vez que não há, eu não irei”. O céu é tão santo; o pecado, o mundo e Satanás não estão ali. Se Deus levá-lo ao céu, você será capaz de viver ali? Se não mudarmos hoje, nós teremos de esperar até que sejamos dignos de entrar nele. É verdade que o Senhor Jesus nos salvou, mas subjetivamente falando, se não permitirmos que o Espírito Santo trabalhe o Senhor Jesus em nosso interior, Deus terá de nos castigar para que possamos receber benefício e ser considerados dignos de estar com Ele. Se apenas pregarmos a graça sem pregar o reino, a igreja sofrerá e os filhos de Deus sofrerão; e quando o reino vier, haverá sofrimento ainda maior. Eu devo falar, porquanto tenho o dever de falar.
Admito que depois do meu falar nestes poucos dias, alguns aumentarão sua oposição contra mim. Se estas palavras são minhas, estou disposto a vê-los se oporem. Eu mesmo me oporia a elas. Contudo, se estas coisas são a Palavra de Deus e se Deus as tem dito, que posso eu fazer? Como desejaria não ter de falar sobre essas coisas. Como desejaria poder pregar algo que todos gostassem de ouvir. Eu não sou Mateus, não sou Marcos, não sou Paulo. Não escrevi o livro de Hebreus, e não escrevi Apocalipse. Se eu fosse o escritor, poderia mudar as coisas. Mas essas coisas são a Palavra de Deus. Deus tem-nas falado e tem determinado que elas sejam assim. Meus amigos, ao ler a Bíblia, vocês têm de ler aquilo que Deus disse. Vocês não devem considerar aquilo que o homem diz. Vocês devem cuidar somente do que Deus disse.
A maior dificuldade hoje ao estudar a Bíblia reside no preconceito na mente dos filhos de Deus. Eles têm aquilo que consideram como verdade e aquilo que consideram como heresia. Eles acham que tudo o que combina com eles é verdade, e tudo o que não combina com eles e difere deles é heresia. Não obstante o quanto a base seja bíblica, qualquer pensamento ou conceito contrário ao deles é considerado heresia. Mas se alguém tem tal atitude, tal pessoa está acabada. O que está em questão hoje é aquilo que Deus disse.
Estou alegre em meu coração porque posso pregar a “heresia” da Palavra de Deus e posso opor-me à “verdade” do ensinamento do homem. Hoje temos de estar esclarecidos diante do Senhor. Não podemos estar sob nenhuma outra autoridade que não seja a Palavra de Deus. Não conheço nenhuma outra autoridade. Não sei o que é teologia; não sei o que é a palavra do homem; não sei o que é a tradição da igreja. Eu sei apenas o que a Bíblia diz, e somente o que ela diz é que interessa. Devemos sujeitar-nos somente a ela. Não podemos mudar a Palavra de Deus. A Palavra de Deus relata-nos o destino de Seus filhos. Ela nos conta o que experimentaremos no reino. Devemos prestar atenção a estas questões, pois cedo ou tarde nos depararemos com elas novamente. Se dermos atenção a elas, seremos cuidadosos na maneira de viver na terra hoje.
A segunda coisa que devemos perceber é que somente os que compreendem a verdade podem opor-se à heresia. Uma heresia não pode opor-se a outra heresia. Mas todas as heresias não são heresia pura; elas são a verdade acrescentada de um pequeno erro. Heresia é acrescentar coisas erradas a coisas certas. Adicione um pouco do pensamento do homem ao pensamento de Deus e você terá uma heresia.
Por não conhecer plenamente a verdade na Bíblia, o catolicismo prega a doutrina do purgatório. Se você não conhece a verdade que temos liberado nas últimas reuniões, você não será capaz de dizer se a doutrina do purgatório está certa ou errada. Agora que você ouviu essas palavras, perceberá que a doutrina do purgatório está absolutamente errada. Você pode dizer que é heresia. Na Bíblia vemos que a disciplina de Deus sobre os cristãos ocorre no milênio, mas os católicos dizem que há um purgar ocorrendo hoje. Eles dizem que se um cristão não viver à altura do padrão na terra hoje, ele não será capaz de ir para o céu. Por conseguinte, ele terá de ser purgado. Portanto, eles dizem que tão logo um cristão morra, ele começa a ser purgado e é purgado até que a obra seja completada. Entretanto, não existe absolutamente tal ensinamento na Bíblia. A Bíblia nunca diz que assim que um cristão morre, ele será purgado no Hades. A Bíblia nos mostra que haverá a disciplina no reino no futuro, mas não há o purgar no Hades hoje.
Em segundo lugar, os católicos cometem outro grave engano. Eles pensam que se assegurarem para si mesmos indulgências enquanto estiverem vivos ou se após morrerem os padres orarem por eles, eles serão aliviados de alguma purificação do purgatório. Contudo, a Bíblia nunca diz algo semelhante a isso. A Bíblia diz somente que aquele que tem misericórdia dos outros obterá misericórdia. A oração dos padres não fará nada pelos mortos. A Bíblia nunca nos ensina a orar pelos mortos.
Em terceiro lugar, os católicos dizem às pessoas que um homem não será salvo até que tenha sido completamente purificado no purgatório. Isso é uma completa reviravolta do ensino da Bíblia. A Bíblia nos mostra que não há outro nome no céu ou na terra além do nome do Senhor Jesus pelo qual devamos ser salvos (At 4:12). Somente Ele pode salvar-nos. Fora do Senhor Jesus, não há salvação. Disciplina e punição não são para salvação, mas para santificação. A questão da nossa salvação está determinada bem antes de Deus disciplinar-nos, mas ainda há coisas em nós que não combinam com Ele. Ainda existem imperfeições e áreas que não estão à altura do padrão. Portanto, existe disciplina nesta era e disciplina no reino vindouro.
Uma vez que uma pessoa esteja clara sobre a verdade bíblica, ela verá heresia no catolicismo romano. A Igreja Católica Romana toma uns poucos versículos e os utiliza para seu próprio proveito. No entanto, se conhecermos a verdade bíblica, perceberemos que a doutrina do purgatório anula a graça. Agradeço a Deus que, embora eu seja um pecador imundo, por meio do Senhor Jesus agora estou salvo. Quando eu morrer, não tenho mais de ser purgado, pois a salvação não depende de mim, mas do Senhor Jesus. Certamente estou salvo. Agora sabemos o que é disciplina. A disciplina é o meio de Deus fazer-nos perfeitos como Ele é perfeito. Ele nos castiga a fim de sermos como Ele, até mesmo para sermos o que Ele é. Isso nada tem a ver com nossa salvação. É um assunto dentro de Sua família.
Finalmente, somente depois de conhecermos isso seremos capazes de lidar com a heresia no protestantismo. Hoje, entre os protestantes, estão sendo difundidos dois tipos de erros. Primeiro, um grupo de teólogos protestantes propõe que desde que um homem é “salvo, salvo para sempre”, e pode fazer qualquer coisa em sua conduta. Uma vez que um cristão é salvo eternamente, eles dizem, ele pode ser mau até morrer e ainda estará no reino. Ele, entretanto, ocuparia uma posição bem inferior no reino. Sua maior perda consiste em ocupar uma posição mais baixa no reino. Esse tipo de ensinamento fará com que o homem seja desleixado e irresponsável. Então, que é graça para eles? Para eles a graça é uma desculpa para desleixo e licenciosidade.
Há outro grupo de protestantes que diz que depois que uma pessoa crê, ainda existe a possibilidade de ela não vir a ser salva. Talvez ela esteja salva e não-salva três ou quatro vezes ao dia. Se esse fosse o caso, o livro da vida seria sem dúvida muito confuso. Um irmão certa vez disse que se não estamos eternamente salvos assim que cremos, então o livro da vida seria extremamente volumoso. O meu nome sozinho poderia ser apagado e inserido muitas e muitas vezes. Se um homem é condenado tão logo peque e se vai para o inferno tão logo transgrida, devemos questionar se a salvação é pela graça ou pelas obras.
Ambos os grupos são extremistas demais, muito embora ambos tenham sua base bíblica. A Bíblia claramente nos mostra que quando um homem é salvo, ele está eternamente salvo. A Bíblia também nos revela com clareza que é possível um cristão ser “lançado na Geena” temporariamente. Mas o problema é que alguns irmãos, por um lado, insistem que a salvação é eterna e não há tal coisa de disciplina no reino, enquanto outros irmãos, por outro lado, insistem que se podemos ser “lançados na Geena”, então a vida eterna é incerta e, portanto, podemos ir para a perdição eterna. Contudo, se virmos a diferença entre a era do reino e a eternidade, e a diferença entre a punição temporária do milênio e a punição eterna, nós estaremos esclarecidos de que um cristão pode receber punição no futuro, mas ao mesmo tempo, Deus tem dado a vida eterna às Suas ovelhas, e elas jamais poderão perdê-la. Esse conhecimento dá-nos a ousadia de dizer que uma vez que fomos salvos, estamos eternamente salvos. Depois que uma pessoa é salva pela graça, ela jamais perecerá novamente. Dessa forma, nós não somente resolvemos adequadamente o problema do purgatório do catolicismo, como também fizemos uma clara distinção entre salvação eterna e disciplina. Que o Senhor nos conceda graça e nos mostre que a questão da salvação eterna está resolvida devido à obra de Jesus de Nazaré, mas a situação de alguém no reino é determinada pela própria pessoa.